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Equipe Leforte - Equipe Leforte Atualizado em 22/07/2026

Ortopedia

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Cirurgia de ligamento do joelho: guia completo sobre o procedimento e a recuperação

Entenda o passo a passo da cirurgia de reconstrução do ligamento do joelho (LCA), desde a artroscopia e uso de enxertos até as fases da recuperação.

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cirurgia de ligamento do joelho​

Saiba quando a reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é indicada e como cada etapa da reabilitação funciona.

Aquele giro rápido durante uma partida de futebol ou uma mudança brusca de direção na corrida pode terminar com um estalo no joelho, seguido de dor e inchaço. A sensação de que o joelho "saiu do lugar" ou está "falso" é um sinal clássico que pode levar ao diagnóstico de ruptura de um ligamento, mais comumente o Ligamento Cruzado Anterior (LCA).

O que é a cirurgia de reconstrução de ligamento do joelho?

A cirurgia de ligamento do joelho, tecnicamente chamada de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), é um procedimento ortopédico que visa restaurar a estabilidade da articulação. Diferente de outros tecidos, o LCA não possui capacidade de cicatrização espontânea após uma ruptura completa.

Por isso, a cirurgia consiste em substituir o ligamento rompido por um novo tecido, chamado de enxerto. Este enxerto, que é geralmente um tendão do próprio paciente, recupera a estabilidade e a mobilidade da articulação, oferecendo uma recuperação segura e confiável.

Leia também: Quais lesões nos joelhos podem ser frequentes?

Quando a cirurgia de ligamento é realmente necessária?

A indicação cirúrgica não é automática para toda lesão de LCA. A decisão é tomada pelo médico ortopedista em conjunto com o paciente, baseando-se em alguns fatores principais:

- Nível de instabilidade: se o joelho falseia ou falha durante atividades cotidianas, como caminhar ou descer escadas.
- Idade e nível de atividade: pacientes jovens e ativos, especialmente atletas, geralmente recebem indicação cirúrgica para poderem retornar às suas práticas com segurança.
- Lesões associadas: é comum que a ruptura do LCA ocorra junto com lesões de menisco ou cartilagem, o que reforça a necessidade do procedimento para tratar todas as estruturas danificadas.

Pessoas mais sedentárias ou idosas com baixa demanda funcional podem optar por um tratamento conservador, focado no fortalecimento muscular para compensar a ausência do ligamento.

Como a cirurgia de reconstrução do LCA é realizada?

O procedimento moderno é seguro e eficiente, realizado por meio de uma técnica minimamente invasiva. A cirurgia dura, em média, de 40 minutos a uma hora e é dividida em algumas etapas centrais.

O preparo e a anestesia

Antes da cirurgia, o paciente passa por uma avaliação pré-operatória completa. O tipo de anestesia mais comum é a raquianestesia associada a uma sedação, permitindo que o paciente durma confortavelmente durante todo o procedimento, sem sentir dor.

A técnica de artroscopia

A cirurgia é feita por artroscopia. O cirurgião realiza duas ou três pequenas incisões, com cerca de um centímetro cada, ao redor do joelho. Por uma delas, insere-se o artroscópio, um instrumento fino com uma microcâmera na ponta que transmite imagens em alta definição para um monitor. Pelas outras incisões, são introduzidos os instrumentos cirúrgicos para realizar o procedimento.

A escolha e preparação do enxerto

Enquanto a articulação é inspecionada pela câmera, o cirurgião retira o tecido que servirá de enxerto para o novo ligamento. Esse material é preparado para ter a resistência e o tamanho adequados para substituir o LCA original. Em alguns casos, o uso de enxertos de tendão achatados é preferido, pois isso pode melhorar a distribuição de força e reduzir o risco de uma nova ruptura do ligamento.

A fixação do novo ligamento

Com o enxerto pronto, o cirurgião remove os resquícios do ligamento rompido. Em seguida, são perfurados túneis nos ossos da tíbia e do fêmur, nos locais exatos onde o LCA se originava. O enxerto é passado por esses túneis, tensionado de forma adequada e fixado com o uso de dispositivos como parafusos absorvíveis ou botões metálicos, garantindo a estabilidade imediata.

Quais são os tipos de enxerto mais utilizados?

A fonte mais comum de enxerto é o próprio corpo do paciente (autoenxerto), o que elimina o risco de rejeição. As principais opções são:

  • Tendões flexores (isquiotibiais). Nesse tipo de enxerto, é feita a retirada de parte dos tendões dos músculos semitendíneo e grácil, na parte de trás da coxa. Entre suas vantagens está uma menor dor no pós-operatório imediato, além de sua incisão ser mais discreta.
  • Tendão patelar. Nesse caso, é retirada uma porção central do tendão que liga a patela à tíbia, com fragmentos ósseos nas pontas. Por ser uma integração de osso a osso nos túneis, ela é considerada por alguns estudos como a mais rápida e forte.
  • Tendão quadricipital. É usada uma parte do tendão do músculo da frente da coxa. Apresenta uma boa espessura e resistência, sendo uma excelente alternativa aos outros dois tipos.

O uso de enxertos do próprio corpo tem demonstrado reduzir as taxas de falha no procedimento de reconstrução. A escolha do enxerto ideal depende de fatores como a anatomia do paciente, o tipo de esporte praticado e a preferência do cirurgião.

Como funciona a recuperação pós-cirúrgica?

A reabilitação é tão importante quanto a própria cirurgia. O processo é longo e exige dedicação do paciente e acompanhamento fisioterapêutico contínuo para garantir a recuperação da força, do movimento e da confiança no joelho.

Com uma reabilitação precoce e bem-orientada, a recuperação pode ser segura e, em alguns casos, alcançada em até seis meses. A reabilitação deve ser iniciada de forma precoce e sem dor, buscando restaurar gradualmente os movimentos do joelho.

Primeiras 24 horas: o pós-operatório imediato

Logo após a cirurgia, o foco é o controle da dor e do inchaço, com uso de analgésicos e aplicação de gelo. O paciente geralmente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte e já é incentivado a realizar os primeiros movimentos com o tornozelo e a contrair o músculo da coxa.

Primeiras semanas: os primeiros passos com muletas

O paciente já pode andar com o auxílio de muletas, colocando o pé no chão conforme a tolerância. A fisioterapia começa imediatamente, com exercícios para recuperar a extensão completa do joelho e reduzir o inchaço. As muletas costumam ser abandonadas entre a segunda e a quarta semana.

Do primeiro ao terceiro mês: fortalecimento inicial

Nesta fase, a fisioterapia se intensifica com o objetivo de ganhar amplitude de movimento e iniciar o fortalecimento muscular. Atividades de baixo impacto, como bicicleta ergométrica e natação, podem ser introduzidas gradualmente.

Após o quarto mês: retorno gradual às atividades

O foco passa a ser o fortalecimento avançado, o equilíbrio e o treino de propriocepção. A corrida em linha reta costuma ser liberada por volta do quarto mês. O retorno a esportes que envolvem saltos, giros e mudanças de direção só ocorre, em média, após o nono mês, quando os testes funcionais e a avaliação médica indicam que o joelho está pronto e seguro.

Quais os riscos e possíveis complicações do procedimento?

Embora a reconstrução do LCA seja um procedimento seguro e com altas taxas de sucesso, como toda cirurgia, ela não está isenta de riscos. As complicações são raras, mas podem incluir:

  • Infecção: risco baixo devido aos cuidados de assepsia.
  • Trombose venosa profunda: formação de coágulos nas veias da perna, prevenida com movimentação precoce.
  • Rigidez articular: dificuldade para dobrar ou esticar totalmente o joelho, combatida com fisioterapia intensiva.
  • Falha do enxerto: o novo ligamento pode se romper novamente, especialmente se o retorno ao esporte for precoce demais.

E se eu decidir não operar o ligamento rompido?

A decisão de não operar é válida para certos perfis de pacientes. No entanto, é fundamental entender as consequências. Um joelho instável, sem a proteção do LCA, tem um risco aumentado de sofrer novas entorses.

Esses novos episódios de falseio podem causar danos secundários graves, como lesões nos meniscos e na cartilagem articular. Com o tempo, esses danos repetitivos podem acelerar o desenvolvimento de um desgaste articular, conhecido como artrose. Portanto, a decisão deve ser discutida abertamente com um especialista.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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