Trombose

Trombose: o que é preciso saber para evitar complicações, como embolia pulmonar


Geralmente, as pessoas apresentam problemas nos membros inferiores, que são as tromboses venosas. Mas o que é e o que leva uma pessoa a desconfiar que tem a doença?

Entrevistamos o cirurgião vascular João Gualberto, formado há 30 anos e com especialização e residência pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Dr. João Gualberto esteve à frente de mais de 25 mil procedimentos em cirurgia vascular e endovascular ao longo desses anos, uma das maiores casuísticas do País na especialidade. Ele está há 20 anos no Hospital Leforte.

O médico explica que a trombose venosa profunda é uma patologia vascular que se caracteriza principalmente pela formação de coágulos ou trombos no interior das veias. No sistema vascular, os vasos são interligados para o fluxo do sangue, que precisa correr de forma contínua. Em algumas situações, formam-se os coágulos ou trombos, obstruindo as veias.

A trombose venosa profunda acomete principalmente os membros inferiores – é dividido em perna (até joelho) e coxa (até virilha). O inchaço pode ser só na perna como também avançar para a coxa.

 

E o que leva uma pessoa a suspeitar que tem trombose venosa profunda?

Dor e empastamento (músculo enrijecido), dor na panturrilha, edema, aumento da temperatura no local, inchaço (geralmente de início recente – dois ou três dias), e unilateral (apenas uma perna – ocorre em 90% dos casos).

A partir da entrada do paciente no PS, a equipe começa a investigação. Além dos exames, a anamnese é fundamental para identificar se pessoa faz parte ou não de algum grupo de risco. Entres as perguntas que o médico faz estão idade, frequência de atividade física e atividade profissional. Entre os 30 e 40 anos costuma se concentrar um número importante de casos de trombose venosa, mas a incidência abrange da puberdade a idosos.

É relativamente comum ver uma pessoa cuja região do tornozelo aparenta inchaço. Nesses casos, pode ser um inchaço crônico, uma sequela da própria trombose venosa profunda.
 

Quando existe suspeita, como proceder?

Tudo começa com a queixa do paciente e o histórico clínico, que irão despertar a suspeita sobre a ocorrência da trombose venosa. Durante a consulta médica, há o exame físico, que ajuda a constatar a existência de um edema, e exames de imagem, como o ultrassom Doppler.

 

Grupo de risco

  • Mobilidade prejudicada, geralmente por alguma intervenção ortopédica (são os casos mais frequentes)
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Acamados
  • Pacientes em pós-operatório
  • Gestação e pós-gestacional – por causa da variação hormonal
  • Neoplasias (câncer)

Pacientes oncológicos em tratamento têm risco aumentado entre 7 a 10 vezes, pois há uma associação entre as doenças. Exemplo: um paciente em quimioterapia que amanhece com a perna inchada, o risco de ser uma trombose venosa profunda ultrapassa os 90%.
O risco também existe no pós-operatório cirúrgico. Embora o aparecimento de uma trombose venosa tenha mais risco e incidência nas cirurgias ortopédicas, como joelho e quadril, costumam ganhar destaque casos envolvendo cirurgias plásticas. A mídia costuma divulgar a morte de pessoas em decorrência de uma embolia pulmonar durante a recuperação de uma cirurgia plástica. Geralmente, morrem em casa, de forma súbita.

Os fatores de risco também podem ser ainda genéticos, relacionados à coagulação sanguínea. Em uma criança cuja carga genética é significativa, pode haver a formação de trombos.

 

Mulheres têm mais chances de desenvolver trombose venosa?

O risco pode aumentar em alguns casos. Os anticoncepcionais são medicamentos que podem contribuir para a formação de trombos, assim como os repositores hormonais, indicados na menopausa. Para o home, conta muito o sedentarismo e a obesidade.

 

Qual o risco mais grave quando não se procura ajuda de médico especialista?

O risco mais grave é do coágulo se movimentar, provocando embolia pulmonar. Como o sistema circulatório é fechado, o trombo migra para o coração, indo depois para os pulmões. A embolia pulmonar pode ser fatal. Nos Estados Unidos, são cerca de 600 mil embolias pulmonar todos os anos. No Brasil, os dados são semelhantes. Em torno de 70 mil pessoas morrem.

 

O que é e quais são os riscos do tromboembolismo venoso?

O TEV, como é chamado no meio clínico, engloba trombose venosa profunda e embolia pulmonar. O TEV se caracteriza pelo deslocamento do trombo formado em uma veia profunda do membro inferior para o pulmão. É a condição de maior risco. Acomete todas as faixas etárias, mais comum entre os 30 e 40 anos de idade.

Normalmente, o doente chega ao pronto-socorro apresentando sintomas citados lá no início, em E o que leva uma pessoa a suspeitar que tem trombose venosa profunda?

Após a investigação por meio de perguntas, é feito ultrassom Doppler, cuja precisão para diagnosticar a doença está entre 95% e 99%. Por essa razão, o aparelho está disponível no PS do Hospital Leforte ininterruptamente, sete dias da semana, 24 horas por dia. Esse exame de imagem é obrigatório, e segue o padrão ouro de atendimento na triagem do PS. Os demais vêm em uma importância menor, como a tomografia e ressonância.

Confirmada a trombose, o mais recomendado é a internação desse paciente, porque fora do acompanhamento e tratamento no hospital, está o maior risco de ocorrer uma embolia pulmonar.

 

Medidas preventivas

Todos os procedimentos no pronto-socorro seguem protocolos de prevenção contra a trombose – são os gidelines. Neles, colocam-se os riscos do paciente ter uma trombose venosa profunda.

Um procedimento é adotado caso o paciente tenha que se submeter a uma cirurgia de quadril, que apresenta alto risco de trombose venal; outro para uma cirurgia de varizes em pacientes com menos de 40 anos, pois apresenta risco menor.

Muitos pacientes mantêm o tratamento preventivo em casa, com anticoagulante, como no caso de um idoso que operou o quadril.
Em pacientes cujo uso de anticoagulante é contraindicado, faz-se uma barreira mecânica endovascular – filtro de cava. O sangue passa pelo filtro, mas não o trombo. O mais comum, nesses quadros, são pacientes com traumas de cabeça, ou seja, que passaram por neurocirurgia. Geralmente, são pacientes com impedimento de uso de anticoagulante.

E com o tempo, que pode varia de uma semana a até mais de um mês, há uma reabsorção do trombo.
 

Algumas medidas para evitar a trombose em grupos de riscos estão:

  • Meias compressivas (ou antitrombóticas)
  • Aparelhos de compressão gradual, que fazem compressão pneumática (conecta-se o paciente ao aparelho, que faz uma espécie de drenagem)
  • Anti-coagulação preventiva ou profilaxia farmacológica, também obrigatória hoje

 

E quando ocorre a embolia pulmonar, como tratar?

A embolia é a complicação mais temida, pois pode levar à morte.
Para definir o tratamento, o médico vai classificar a embolia de acordo com a intensidade. De forma mais simples, se é leve, moderada ou grave. Neste último nível, há risco de morte iminente, então a dissolução do trombo deve ser emergencial. Para isso, há uso de fibrinolíticos, substâncias que dissolvem os coágulos. São situações em que o doente está com embolia pulmonar tão maciça, que pode ter um colapso de respiração e morrer.

Nas embolias moderadas, o suporte ocorre em nível de UTI (suporte ventilatório, fisioterápico, entre outros), e o médico espera que, no período de dois ou três dias, o paciente apresente melhora. Já as embolias mais leves são tratadas com medicação anticoagulante.

Ou seja, o mais importante é fazer o diagnóstico de forma correta, em pronto-socorro que ofereça equipe especializa e siga protocolos internacionais. Esses procedimentos podem ser a diferença entre a recuperação completa do paciente de uma complicação gravíssima.

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