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Tratamento oncológico e transplantes de medula óssea: como estão acontecendo durante a pandemia de Covid-19?

17 jun 2020 Coronavírus

Assim como diversas outras doenças, o câncer pode exigir tratamentos intensos e periódicos – como a radioterapia, quimioterapia e cirurgias – portanto, não podem ser interrompidos durante o período de pandemia de Coronavírus. Alguns tipos da doença são tratados somente com o transplante de medula óssea, que exige cuidados especiais.

Dr. Rodrigo Santucci reforça a importância de continuar os atendimentos presenciais e via telemedicina

O Grupo Leforte entrevistou o Dr. Rodrigo Santucci, coordenador da oncohematologia e do serviço de transplante de medula óssea do Grupo, para explicar como esses tratamentos continuam de forma segura e falar sobre a adesão dos pacientes aos atendimentos médicos.


Alguns pacientes têm abandonado tratamentos por conta do medo da exposição à Covid-19, o que gera preocupação aos médicos. Dentro da oncologia, como está esse cenário?

Dr. Rodrigo Santucci – A maior parte dos pacientes estão dando continuidade aos tratamentos oncológicos, sim. Nós alocamos todos os atendimentos na unidade Leforte Higienópolis para serem afastados do hospital [Leforte Liberdade – onde estão sendo tratados os pacientes com Covid-19], então a operação dos nossos procedimentos segue normalmente.

Aqueles pacientes que foram curados no passado, ou que se encontram em remissão, estão postergando um pouco o retorno. No caso de consultas eletivas, quando não há urgência ou quando não estão em tratamento, de fato estão vindo menos por uma série de fatores, principalmente pelo pedido à população para ficar em casa.


Quanto aos transplantes de medula óssea, continuam ocorrendo normalmente? Quais os cuidados especiais com o paciente que recebe o transplante?
Dr. Rodrigo Santucci – Inicialmente caiu um pouco a demanda, porque teve uma normativa da Sociedade Brasileira de Transplante para que houvesse o adiamento de todo transplante que não fosse urgente. Então, em alguns casos, nós coletamos as células-tronco da medula óssea do doador e congelamos essas células para esperar o pico da pandemia passar. Quando chegar um momento oportuno, o paciente receberá as células-tronco, sem correr riscos durante o transplante. São alguns transplantes ditos autólogos, de mieloma múltiplo, que dá para adiarmos .
Todos os outros transplantes de medula que eram mais urgentes, por exemplo, uma leucemia que voltou ou o paciente que tem linfoma e estava fazendo algum resgate dequimioterapia, mantivemos periodicidade. Nós tomamos o cuidado de coletar o teste de PCR para Covid-19 antes da internação, só para termos certeza de que esse paciente, mesmo se assintomático, não está infectado. Essa prevenção é feita em pacientes e em eventuais doadores de medula óssea.

 

Quais cuidados extras o setor de oncologia tem tomado com os pacientes durante o período de pandemia de Covid-19?
Dr. Rodrigo Santucci – Nós estamos agendando as consultas e procedimentos de forma espaçada para não gerar aglomerações. Na unidade Leforte Higienópolis temos duas recepções, então conseguimos manter o distanciamento de segurança. Certificamos que o paciente e todos os funcionários façam uso de máscara e higiene das mãos com o álcool em gel em todas as etapas do processo de atendimento.

Também adotamos a telemedicina em oncologia. Temos tentado fazer o atendimento por vídeo chamada ou até monitoramento, em que o paciente nos envia os exames, nós fazemos chamada telefônica, damos orientações e acompanhamos o estado de saúde. Então, temos facilitado a vida desse paciente para que ele transite menos pela cidade, mas não deixe de ser atendido e mantenha o tratamento.

 

Durante o período de pandemia, algumas pessoas têm ignorado sinais e sintomas que podem indicar a presença de doenças, como o câncer. Como está sendo a procura de atendimento médico para novos diagnósticos?
Dr. Rodrigo Santucci – De fato, como diminuiu a ida ao médico em geral, ao clínico, ao pronto-socorro para verificar sintomas, nós sentimos que o número de primeiras consultas de oncologia tem diminuído um pouco.

 

E isso é prejudicial ao paciente ou é benéfico que ele evite a exposição ao hospital, mesmo nesses casos, durante a pandemia de Covid-19?
Dr. Rodrigo Santucci – Não, isso é prejudicial ao paciente. Ele tem que procurar manter o seu atendimento oncológico, a avaliação dos seus sintomas, a visita ao cardiologista ou qualquer outro especialista, caso tenha doenças crônicas, tudo com segurança.
O que costumo dizer é que a população precisa encarar a pandemia de Covid-19 como uma nova realidade, que não vai desaparecer de uma hora para outra, portanto deve se proteger sem que prejudique a saúde em outros aspectos.

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