Transtornos alimentares

Transtornos Alimentares

Em 2017, a revista Forbes listou os dez maiores influenciadores digitais da área de esportes e saúde e constatou que eles falam com cerca de 106 milhões de pessoas pelo Instagram, Facebook, Twitter e YouTube. Mas será que o resultado disso tem sido positivo?
Há um sério problema envolvendo postagens que enaltecem a boa forma. Parte delas incentiva a mudanças de hábitos, o comer com qualidade, a prática de atividade física. Mas a questão é que a exaltação ao corpo perfeito está mexendo em demasia com a cabeça das pessoas, e muita gente vem adoecendo, desenvolvendo distúrbios.
Os transtornos alimentares, por exemplo, estão na literatura médica muito antes da era digital, mas estudiosos da área da saúde afirmam que as redes sociais reforçam um ideal distorcido de beleza. Para alcançar a ideia de corpo magro e escultural, pessoas estão seguindo dietas “milagrosas”, ingerindo fórmulas para emagrecer, consumindo suplementos em excesso ou anabolizantes e recorrendo a tratamentos que prometem resultados imediatos.
Falta entender o essencial: soluções milagrosas não existem e podem fazer mal à saúde. Quando há necessidade de perda de peso, deve-se seguir uma dieta balanceada, com emagrecimento gradual, saudável, e com acompanhamento médico.
Conheça agora os transtornos alimentares mais comuns.

Anorexia

A pessoa com anorexia tem uma imagem distorcida do próprio corpo e se torna obsessiva com o peso. Mesmo muito magra, passa a restringir a ingestão de alimentos (pula refeições, ingere apenas líquidos) e, em muitos casos, para de comer.
O comportamento interfere na vida social, resultando em isolamento – a pessoa deixa de conviver com a família e os amigos. Além disso, a síndrome costuma causar queda de cabelo, desidratação, diminuição da pressão arterial, baixa imunidade, arritmia cardíaca, convulsões, enfraquecimento de músculos e ossos, além de ciclo menstrual desregulado. Em alguns casos, a fraqueza e desnutrição evoluem de tal forma que pode levar a óbito.

Como tratar?
A pessoa é considerada anoréxica quando seu peso está pelo menos 15% abaixo do ideal para sua idade e altura. O principal empecilho para diagnosticar o transtorno é a negação do anoréxico em admitir o problema e perceber que não há nada de errado com o seu peso. Geralmente, sequer existe necessidade ou indicação para emagrecer.
A família deve estar atenta e levar a pessoa ao médico. A avaliação psicológica também é fundamental e ajudará a direcionar o tratamento. O processo de recuperação ocorre de forma gradual, com a combinação de medidas que ajudarão a restabelecer o equilíbrio emocional e o peso adequado.

Bulimia

A bulimia ocorre quando a pessoa come descontrolada e compulsivamente (geralmente, acima de 4 mil calorias) e, logo em seguida, induz o vômito para não engordar. Laxantes, diuréticos, remédios para emagrecer e jejum também costumam ser relatados por pacientes.
A causa da bulimia ainda é desconhecida e fatores genéticos, psicológicos, traumáticos, sociais e culturais podem contribuir para desencadear o transtorno. A ideia de corpo perfeito pregada pela indústria da beleza e da moda faz com que a pessoa se sinta completamente fora do padrão, o que gera um quadro de ansiedade e possível depressão. Por isso, ao comer o paciente encontra conforto, prazer e saciedade, mas na sequência sente-se culpada e provoca o vômito.
A bulimia pode causar lesões no esôfago (devido à acidez do vômito), desidratação, cáries, pancreatite, hemorroidas, constipação e inflamação na garganta.

Como tratar?
Quanto mais rápido for o diagnóstico, melhor será o controle da doença, já que seus efeitos vêm com o tempo. É preciso que a pessoa com bulimia esteja consciente sobre seu estado, do contrário será difícil iniciar qualquer tratamento, pois a indução do vômito e outros métodos usados ocorrem de forma velada.

 

 

compulsao alimentarCompulsão alimentar

Ocorre quando o indivíduo come o máximo que consegue e, em seguida, é tomado por um profundo sentimento de tristeza e culpa. A compulsão desencadeia problemas como sobrepeso e obesidade, porque ao contrário da bulimia, a pessoa não tenta emagrecer a qualquer custo.
O excesso de comida funciona como válvula de escape para amenizar problemas emocionais, estresse, baixa autoestima, entre outros. As consequências são preocupantes, a pessoa pode elevar os níveis de colesterol e desenvolver diabetes e hipertensão pela falta de critério na escolha dos alimentos e na quantidade ingerida.

Como tratar?
As questões emocionais são determinantes para o quadro, por isso o tratamento é em longo prazo. É fundamental equacionar fatores como a melhora da autoestima, frustrações e relações pessoais, o alimentar-se da forma correta e sem culpa, e aceitar o próprio corpo.

Vigorexia

No caso da vigorexia ou Transtorno Dismórfico Muscular (TDM), o indivíduo tem uma percepção distorcida ou deformada da sua imagem no espelho, sentindo-se inferior.
Entre as características da doença estão o aumento da massa muscular por meio da prática intensa de exercícios físicos, o uso excessivo de suplementos alimentares e, em muitos casos, de anabolizantes.
O vigoréxico passa horas na academia praticando exercícios sem critério ou orientação profissional. Tem sido mais comum em homens entre 18 e 35 anos de idade.

Como tratar?
O distúrbio pode trazer complicações severas para saúde, como insuficiência renal ou hepática, problemas de circulação, riscos de doenças cardiovasculares, depressão, aumento do risco de câncer de próstata e infertilidade (nas mulheres).
O tratamento deve ser realizado com um grupo de profissionais que contempla psicólogo, médico e nutricionista.

Ortorexia

Embora não seja oficialmente classificada como um transtorno alimentar (como a anorexia e a bulimia, segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde/OMS e da Associação Americana de Psiquiatria) a ortorexia é definida como uma obsessão por comer de maneira saudável.
Trata-se de uma desordem alimentar que inclui medidas extremas para a perda de peso, com possível uso de laxante, diurético e alimentação muito rigorosa e restritiva.
O ortoréxico pensa em dieta o tempo todo e chega a cortar grupos inteiros de alimentos, como carboidratos, por conta própria. A pessoa também fiscaliza o que os outros comem, desprezando quem não segue os mesmos padrões de alimentação.
Não existe desobediência à dieta no comportamento ortoréxico, por isso a pessoa costuma levar sua própria refeição quando sai de casa. Aí, surgem as dificuldades de convívio com amigos e familiares, e consequências para o organismo, como anemia, fraqueza, alterações cognitivas, entre outros sintomas.

Como tratar?
A partir do diagnóstico, o médico seguirá uma linha de tratamento que atende a pacientes com quadro de transtorno alimentar – semelhante aos descritos acima, sempre com foco no equilíbrio de nutrientes e consequente promoção de saúde.

 

A combinação de alguns comportamentos pode sinalizar um possível transtorno alimentar. Por isso, fique atento se a pessoa…

• fica reclusa ou deprimida
• tem como tema principal de todas as conversas dieta e alimentação
• costuma fazer dietas muito restritivas
• não consegue comer na companhia de outras pessoas
• tem percepção alterada do próprio corpo e queixa-se frequentemente do peso e da forma física (pessoas magras que se veem como obesas)
• passa tempo demasiado praticando exercícios físicos

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