Teste genético pode indicar risco aumentado para câncer de próstata

Teste genético pode indicar risco aumentado para câncer de próstata

Pelo sangue ou saliva é possível estimar risco para desenvolvimento da doença e de outros tumores

Um exame de coleta simples e indolor é capaz de identificar homens com maiores chances de apresentarem, ao longo da vida, a forma mais agressiva de câncer de próstata. O teste também pode indicar a possibilidade dele ou de parentes virem a desenvolver outros tumores. 

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), um em cada seis homens no Brasil será diagnosticado com esse tipo de câncer, a maioria após os 65 anos de idade. No entanto, como ressalta o urologista Bruno Santucci, do Leforte, muitos desses tumores evoluem lentamente, sem causar danos ao organismo, exigindo apenas acompanhamento.

 

Tipos de câncer mais agressivos

Para os casos em que a forma do tumor é agressiva, existem abordagens específicas. O teste genético é uma delas, pois pode identificar uma alteração que predisponha a pessoa a ter outros tumores. Além disso, possibilita a avaliação de familiares que desejem saber se têm risco aumentado para o câncer, mesmo que nunca tenham tido a doença. Identificar uma predisposição hereditária contribui para prevenir mortes pela doença.

Segundo a médica geneticista Thereza Loureiro, especialista em Oncogenética, o teste, feito com amostra de sangue ou de saliva, não exige jejum nem preparos específicos, e pode ser aplicado sem restrições. Ele é solicitado pelo especialista, após aconselhamento genético, em situações pontuais, como ditas acima.

“As pessoas que apresentam a forma metastática, independentemente da idade, ou tumores de alto grau com história familiar de risco para outros cânceres hereditários – como de mama, ovário, pâncreas –, ou outros casos de câncer de próstata, podem ser beneficiadas com os exames genéticos.”

Vantagens da detecção a partir da genética

Teste genético pode indicar risco aumentado para câncer de próstata

Nesses indivíduos, afirma a médica, caso sejam detectadas alterações em determinados genes, é possível orientar quais órgãos do paciente devem ser monitorados com mais atenção. Isso também vale para familiares que, porventura, herdarem essa predisposição. Segundo Thereza Loureiro, uma mesma alteração no gene BRCA2, por exemplo, pode aumentar tanto as chances de ocorrer câncer de próstata e de pâncreas nos homens quanto de ocorrer câncer de mama e de ovários nas mulheres da família.

Em casos de câncer de próstata agressivo, a mãe, as irmãs e as filhas do paciente também devem ser avaliadas, pois podem ter maior chance de desenvolverem tumores. “Conhecer essa predisposição familiar permite o acompanhamento especial de filhos e de filhas em risco, ainda que nunca tenham tido câncer”, observa a especialista. “Essa é a melhor forma de se receber uma orientação personalizada para a doença e o tratamento mais adequado”, garante. Nos casos familiares, em algumas situações, o teste é uma maneira de prevenir doenças.

 

Forma agressiva do câncer causa muitas mortes, por isso a atenção ao órgão

Pelo fato de a próstata se localizar profundamente na pelve, o rastreio desse tipo de câncer não é tão simples, pontua Thereza.

Se já há casos na família de câncer de próstata, o urologista poderá, de acordo com o perfil do paciente, recomendar primeiramente o exame de sangue para verificar o PSA (antígeno prostático específico) e o exame de toque retal (para ver as condições da próstata). Em algumas situações, mais raras, é indicada a biópsia da próstata. O teste genético requer avaliação mais especializada, com o geneticista ou oncogeneticista.

A médica ressalta que o aumento da expectativa de vida das pessoas contribui para elevar a incidência de alguns tipos de tumores, entre esses, o de próstata – por isso a necessidade de atenção especial para o rastreio do câncer no órgão.

“A campanha Novembro Azul é um alerta para a prevenção de doenças masculinas em geral e do câncer de próstata mais especificamente”, diz.

Isso porque, embora a maior parte dos tipos de tumores no órgão não seja letal, as formas agressivas costumam levar muitos homens a óbito – daí a necessidade redobrada de cuidados e o incentivo para fazer uma visita ao urologista.

Teste genético pode indicar risco aumentado para câncer de próstata

Sempre é bom lembrar

Alguns fatores de risco para o câncer de próstata não podem ser evitados, como o envelhecimento ou a etnia (negros estão mais predispostos). Mas, como na prevenção para qualquer tipo de câncer, a recomendação geral é levar uma vida com hábitos saudáveis, o que inclui a prática regular de atividade física e alimentação equilibrada, com frutas, vegetais e verduras no cardápio. Convém evitar o excesso de álcool, o consumo de cigarros e a exposição a substâncias tóxicas, como fuligem ou derivados do petróleo. 

“Por último, e não menos importante: atenção aos sinais do próprio corpo e, pelo menos, uma consulta médica anual ao urologista”, reforça a médica Thereza Loureiro.

O Leforte Oncologia está preparado para realizar o aconselhamento genético. O hospital também dispõe de equipe especializada para monitorar ou tratar o câncer de próstata ou outros tipos de tumores.

Dando prosseguimento aos textos de novembro, na próxima semana iremos abordar os tratamentos indicados para os tumores de próstata. 

 

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