Setembro Amarelo É preciso falar sobre suicídio

Setembro amarelo: vamos falar sobre suicídio

No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) são preocupantes e apontam o suicídio como a 4ª maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no país.

Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), foram identificados transtornos mentais na maior parte das vítimas, como depressão, dependência química e esquizofrenia. Entretanto, nem sempre quem comete suicídio apresenta algum desses transtornos. O suicídio ocorre, geralmente, de forma impulsiva diante de situações de grande impacto emocional, como o fim de um relacionamento, crises financeiras, perda de um ente querido ou problemas familiares.

Falar sobre prevenção do suicídio ainda é assunto delicado, mas fundamental. A saúde mental exige atenção, cuidado e acompanhamento médico, porém muitos ainda não enxergam a depressão como doença, de acordo com pesquisa do Ibope.

Os dados revelam ainda que 23% dos adolescentes entre 13 e 17 anos enxergam o transtorno mental como um momento de tristeza, e não uma doença grave. O mesmo grupo informou que, caso recebessem o diagnóstico de depressão, não revelariam para os familiares. O mesmo é válido para a faixa etária entre 25 e 34 anos: 63% das pessoas também não contariam, pela vergonha de admitir um quadro depressivo.

 

Depressão e suicídio

O Ibope analisou como os entrevistados se comportaram em relação aos temas depressão e suicídio, e identificou que 66% deles conhecem alguém com a doença. Enquanto isso, 41% afirmam ter conhecido pelo menos uma pessoa que cometeu suicídio.

Entre os homens, o cenário de desinformação e preconceito é mais preocupante. A pesquisa mostra que 55% dos homens acreditam que ter uma atitude positiva e ser alegre são medidas suficientes para vencer a depressão. O levantamento aponta que 29% acreditam que a doença está relacionada a um sinal de fraqueza.

Ainda na mesma pesquisa, 47% dos homens disseram que não informariam a família caso fossem diagnosticados com a doença, enquanto 21% afirmaram que não tomariam antidepressivos.

No grupo das mulheres, 58% sabem que não basta ter uma postura positiva ou alegre para superar a depressão. Além disso, 83% estão convencidas de que a doença não é “falta de Deus” ou sinal de pouca fé. Mesmo assim, 41% deste grupo não contariam para a família, pois temem ser rotuladas de manhosas ou que querem chamar atenção.

A falta de conhecimento sobre a depressão e as causas do suicídio contribuem muito para que as pessoas ignorem a gravidade do problema e deixem de procurar ajuda profissional. Ainda existe a crença de que psicólogo e psiquiatra são para loucos.

 

Setembro Amarelo É preciso falar sobre suicídio

Como identificar e buscar ajuda?

Não existe uma receita para identificar quando uma pessoa está passando por uma crise suicida. Mas o indivíduo pode apresentar alguns sinais, e se a família percebê-los, deve ficar bastante atenta.

  • Aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais.
  • Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.
  • Expressão de ideias ou de intenções suicidas: “Vou desaparecer”; “Vou deixar vocês em paz”; “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, entre outras.

Como ajudar?

Se você estiver enfrentando um momento delicado, converse com seu médico de confiança. Ele irá orientá-lo da melhor forma, mesmo se não for um psiquiatra. Os médicos são profissionais preparados para lidar com as situações de forma racional e urgente.

Mas se notar alguém em situação fragilizada:

  • Saiba identificar o melhor momento para falar sobre o assunto, deixando claro que não fará julgamentos, pelo contrário, que está ali para dar total apoio. Você pode indicar uma linha sigilosa de suporte emocional como CVV (Centro de Valorização à Vida). O número de discagem é 188.
  • Procure ficar por perto. Mantenha contato com a pessoa para acompanhar o seu desenvolvimento com o tratamento.
  • Procure proteger a pessoa. Se houver perigo imediato, não deixe a pessoa sozinha e assegure-se de que a pessoa não tenha acesso a meios para provocar a própria morte, como pesticidas, armas de fogo, medicamentos etc.

Para mais informações, acesse o site do Centro de Valorização à Vida (CVV)
https://www.cvv.org.br/

 

Fonte: Revista Veja e CVV (Centro de Valorização à Vida)

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