Os inúmeros benefícios da amamentação


Entre os dia 1º e 7 de agosto, 120 países, entre eles o Brasil, participam da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que em 2018 tem como tema “Aleitamento materno: a base da vida”. A semana é definida pela Aliança Mundial para Ação em Amamentação (WABA) e a finalidade é sensibilizar para a importância do aleitamento para a mãe e a criança.

A coordenadora da pediatria do Hospital Leforte Liberdade, Dra. Talita Rizzini, destaca:

“Amamentar é amor, carinho, aconchego. Porém, muitas vezes a mãe se sente insegura no início do aleitamento e precisa de apoio. Fatores como ansiedade, estresse, sobrecarga física e emocional, depressão pós-parto, desconforto, entre outros, são situações que podem inibir a produção do leite. Por isso o apoio à mãe precisa ser integral, até porque se ela estiver bem, o bebê também estará”.

O leite materno é completo, oferece todos os nutrientes que a criança precisa nos primeiros seis meses de vida, ajuda na formação da imunidade – a primeira “vacina” do bebê – e no crescimento da criança.

Denise Bedoni, médica pediatra coordenadora do Hospital Leforte Morumbi, diz:

“O primeiro desenvolvimento cognitivo do bebê se inicia junto à mãe, durante as mamadas, ao fixar o olhar materno, recebendo os estímulos visuais e auditivos que aumentam as conexões e sinapses cerebrais”.

E para a mulher, amamentar ajuda a prevenir câncer de mama. Isso se dá porque quanto mais ciclos menstruais a mulher tiver, mais ela estará exposta a hormônios relacionados ao câncer. Como durante a amamentação não há ciclo, menor é a exposição.

Mas os benefícios gerados pelo aleitamento materno extrapolam a esfera mãe e filho. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca questões que envolvem política e economia dos países, por meio de reflexões bastante coerentes: crianças que foram devidamente amamentadas crescem mais saudáveis, por isso, recorrem menos ao sistema público de saúde (menor gasto público), e oferecem boa capacidade para o trabalho.

Porém, segundo relatório do UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (OMS), em colaboração com o Global Breastfeeding Collective, dos 194 países pesquisados apenas 23 tiveram índices de amamentação exclusiva acima de 60% em bebês com até seis meses de vida. No Brasil a porcentagem está ainda mais aquém: somente 38,6%.

 

Fatores culturais

O estudo “Amamentação: Um presente da mãe, para toda a criança”, também do Unicef, aponta fatores sociais e culturais como causas que contribuem para as baixas taxas de amamentação, com destaque para a falta de apoio às mães – desde falhas na assistência na hora do parto às regras sobre comercialização e marketing não ético do leite artificial (fórmulas infantis), além, é claro, do pouco respaldo quando se trata do trabalho, muitas vezes não oferecendo qualquer proteção por leis trabalhistas.

O estudo enfatiza que “melhorar as taxas de amamentação em todo o mundo poderia salvar a vida de mais de 820 mil crianças com menos de cinco anos, todos os anos, a maioria (87%) com idades abaixo dos seis meses”.

Em agosto, o Leforte Ensino e Cultura, em parceria com a Sociedade de Pediatria de São Paulo, promove a IV Jornada de Pediatria, destinada a pediatras. A importância da amamentação estará entre os temas que serão abordados.
 

 

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