Robótica e radioterapia: avanços no tratamento do câncer de próstata

Robótica e radioterapia: avanços no tratamento do câncer de próstata

Técnicas conseguem mesclar eficiência e qualidade de vida para o paciente

São promissoras as notícias para quem precisa se submeter ao tratamento do câncer de próstata. Cirurgias com técnicas avançadas, assim como máquinas de radioterapia de última geração, permitem afastar do horizonte do paciente a doença e dois grandes fantasmas que podem surgir no pós-operatório, comuns no passado, que são os riscos da incontinência urinária e da disfunção erétil.

Surgida há cerca de 20 anos nos Estados Unidos, a cirurgia robótica tem grandes vantagens sobre a convencional, que é a cirurgia aberta. Ela oferece instrumentos de alta precisão e dá uma visão tridimensional da região a ser operada.

“A tecnologia nos permite uma melhor visualização e delicadeza na manipulação, gerando menos danos aos tecidos”, diz Paulo Maron, urologista e cirurgião do Centro de Urologia do grupo Leforte. No tratamento da próstata, o médico, de forma geral, tem três objetivos, explica: proporcionar a cura do câncer, recuperar a funcionalidade da bexiga e a capacidade de ereção – a chamada potência sexual. A robótica vem apresentando resultados animadores nestes quesitos.

A próstata,  diz, está localizada numa área de difícil acesso, entre a bexiga e a pélvis. “Há um arcabouço ósseo na frente”, pontua o médico. 

Com a robótica, o campo de visão cresce e o cirurgião tem mais segurança na hora de realizar o procedimento, pois consegue, com o sistema robótico de braços, alcançar pontos mais difíceis de serem tocados por meio da cirurgia convencional. 

É possível ampliar de 15 a 20 vezes a imagem, o que facilita para o profissional enxergar as estruturas e preservar os tecidos sadios.

A tecnologia também proporciona tranquilidade ao médico, pois ele opera numa posição mais confortável. 

Robótica e radioterapia: avanços no tratamento do câncer de próstata O empecilho para que a robótica seja aplicada em maior escala ainda é seu custo, de acordo com o especialista. Ele vem barateando, mas o equipamento não tem cobertura dos convênios de saúde. Mesmo assim, atualmente, cerca de 70% das cirurgias de próstata são feitas por robótica – o paciente se interna pelo plano, mas paga o custo da tecnologia. O valor varia entre 2,5 mil a 10 mil reais. 

Outra vantagem: o pós-operatório é bem mais tranquilo de ser enfrentado – o paciente costuma ter alta no dia seguinte à operação. “Em cerca de 10 dias ele já está se sentindo muito bem, retomando a vida normalmente”, afirma Maron.

A cirurgia por via laparoscópica, também muito utilizada, apresenta, como a robótica e a aberta, resultados oncológicos bons. Ela permite maior campo de visão do que a aberta, mas menor do que a robótica, pois suas pinças não são articuladas. Isso limita o acesso a alguns pontos do órgão. Mais um fator em desvantagem: para o cirurgião, a técnica oferece menor conforto.

Radioterapia, outra abordagem terapêutica possível

Maron assinala que 60% dos canceres de próstata não precisam de cirurgia, ao menos no início. Eles devem ser acompanhados e, em alguns casos, podem passar por tratamento cirúrgico lá na frente ou por radioterapia.

A quimioterapia não é indicada, a não ser em algumas situações bem específicas. 

No lugar da cirurgia, para alguns homens, é prescrita a radioterapia, técnica que utiliza radiação para eliminar as células tumorais. “Tradicionalmente, radioterapia e cirurgia são muito eficazes do ponto de vista de resposta”, afirma Daniel Grabarz, responsável pelo serviço de Radioterapia do Grupo Leforte.

A escolha do tratamento é feita pelo médico, com base no perfil do paciente e no tipo de tumor. Algumas pessoas precisam de ambas as abordagens: cirurgia e radioterapia, mas são casos mais raros.

Segundo Maron, não existe nenhum estudo que prove que uma técnica (cirurgia robótica ou radioterapia) seja superior a outra em relação aos benefícios. “Para cada situação, há uma indicação de tratamento. Na prática,  homens que têm alguma contraindicação para cirurgia, como problemas cardíacos ou idade muito avançada, com saúde mais debilitada, normalmente já vão direto para a radioterapia”, afirma. 

Por ser um tratamento não invasivo, ela é indicada para esses casos. 

Segundo Grabarz, há um ano e meio o Leforte adquiriu o Elekta Infinity, um equipamento considerado bastante avançado dentro da radioterapia. Mais de 40 pacientes foram tratados dessa forma no hospital. Sua principal vantagem é oferecer procedimentos rápidos, com alta precisão e recursos de visualização em 4D.

“O Infinity permite ao paciente realizar o tratamento em cerca de 20 sessões, metade do número normalmente empregado para o tratamento com outros equipamentos”, afirma Grabarz. 

“Os resultados são igualmente excelentes aos da cirurgia, segundo a literatura médica”, diz Grabarz. A nova técnica também reduziu as sequelas. “A radioterapia mais antiga dava, com frequência, sangramento retal e alterações urinárias”. 

Robótica e radioterapia: avanços no tratamento do câncer de próstata

Importância do diagnóstico precoce

Com o mês de novembro já na segunda quinzena, convém reforçar a importância de o homem procurar um urologista ao menos uma vez por ano, especialmente se chegou à faixa dos 50 anos de idade.

“Essa é a mensagem que tem de ficar: o câncer de próstata, quando diagnosticado precocemente, chega a alcançar quase 100% de cura”, observa Maron. “Mas para tanto o homem precisa adquirir  o costume de consultar com frequência um especialista. Ele irá analisar seus riscos para a doença e orientá-lo, quando necessário, para o melhor tratamento possível indicado para o seu caso”.

 

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