Realidade epidemiológica do AVC

Artigo por Dr. José Luciano Monteiro – Neurologista do Hospital Leforte

 


 

O AVC continua sendo um grande problema mundial, com tendência a piorar sua incidência ao longo dos próximos anos devido às mudanças epidemiológicas da população. Teremos um continente de idosos no mínimo 30% maior nos próximos 15 anos e, com isso, diversas doenças neurodegenerativas e vasculares.

A análise mais recente desse quadro foi realizada em 2013, pelo Global Burden of Disease. Esse estudo demonstrou que apesar da mortalidade por AVC ter caído de 1990 a 2013, a incidência aumentou significativamente nesse mesmo período. Além disso, nenhum país obteve, de forma significativa, uma redução da incapacidade e uma melhora da qualidade de vida dos pacientes com AVC. No ano de publicação deste artigo, foram 27,5 milhões de pessoas afetadas pela doença em todo o mundo, e que sobreviveram. Seis milhões de pessoas não tiveram a mesma sorte e faleceram em decorrência da doença.

As medidas preventivas atualmente são escassas, e no Brasil temos uma política de saúde pública que ainda está começando a entender a importância de tratar o AVC adequadamente. Essa triste realidade se encontra estampada no fato de que 2 em cada 10 hospitais no Brasil estão preparados para o atendimento do paciente com doença cerebrovascular aguda. Menos de 5% dos pacientes com AVC agudo estão sendo tratados corretamente, e isso implica em altos índices de incapacidade e morte.

 

Mudança no cenário

Para mudar esse cenário em curto e longo prazos, precisamos viabilizar melhorias estruturais dentro dos hospitais, e fornecer treinamento e formação acadêmica de boa qualidade aos profissionais de saúde. Há a necessidade de implementação de programas de informação e educação populacional nas escolas públicas e particulares, além da divulgação frequente do AVC pela mídia tanto nos meios tradicionais (rádio, TV e impresso) como nas redes sociais.

A geração de políticas de incentivo à criação de Centros de Tratamento do AVC no interior do país pode fazer a diferença no manejo dos pacientes que vivem distantes dos grandes centros, utilizando a telemedicina como apoio essencial. Com essas medidas podemos mudar a realidade desta doença agora e no futuro, agindo na prevenção e no tratamento efetivo dos pacientes.

 

 

 


 

Leia mais:

O que colocar na lancheira das crianças?

Saúde do coração da mulher

Hipertensão arterial

Search

+