Quando deve ser a primeira consulta ao ginecologista?

Quando deve ser a primeira consulta ao ginecologista?

Mesmo sendo características comuns durante a puberdade, transformações no humor, no corpo, na personalidade, e a descoberta da sexualidade deixam, muitas vezes, pais e mães indecisos sobre como agir. Quando são filhas, então, logo vem a dúvida: será que já é o momento para uma consulta ginecológica?

De acordo com médicos ginecologistas, como não existem regras para essas mudanças e elas surgem em maior ou menor intensidade, o ideal é que a primeira consulta ocorra por volta dos 12 anos de idade ou na menarca (quando a menina tem sua primeira menstruação). Nessa fase, o ginecologista irá avaliar como está o desenvolvimento da menina, e por meio de exames, poderá certificar-se sobre seus níveis de hormônios.

Qualquer que seja a situação que tenha gerado a consulta no ginecologista (se por orientação dos pais, vontade da adolescente ou algum tipo de problema), é primordial que seja criado um vínculo de confiança entre médico e paciente, para que ela se sinta confortável e tire suas dúvidas – que, provavelmente, serão muitas.

“A adolescente tem uma linguagem própria, uma visão de mundo diferente do adulto. Vem na primeira consulta com um mix de medo do que pouco conhece e a expectativa de acolhimento e orientação. Problemas como contracepção, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, alterações hormonais, mudanças no corpo, prevenção de infecção pelo HPV e medo da infertilidade fazem parte da preocupação da adolescente. Por isso, uma boa relação, fundamentada na confiança, no sentir-se à vontade, é o primeiro passo para a efetividade do atendimento. E reforço ainda o sigilo médico, que fortalece essa relação de confiança”, explica a Dra. Elaine Silva, ginecologista do Grupo Leforte.

Ela lembra ainda como o olhar apurado do médico pode ajudar a adolescente em outros aspectos. “O rastreamento da depressão passa a ser prioridade também na primeira consulta. O papel do ginecologista pode ser fundamental na melhora da vida da adolescente, pois situações psicológicas podem passar despercebidas pelos pais”, afirma.

Informação e prevenção

Embora exista a percepção de que as meninas estão menstruando mais cedo e iniciando a vida sexual também mais precocemente, o interesse de adolescentes e jovens em cuidar da saúde ainda é baixo.

Um estudo publicado em 2018 reforça esse fato. Realizado pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com o Datafolha, traz os seguintes dados: cerca de 20% das brasileiras jovens não vão ao ginecologista regularmente, e entre as principais razões estão “considero-me saudável” (31%) e “não acho importante ou necessário” (22%).

Estimular o cuidado com a saúde nessa faixa etária, segundo a médica Elaine Silva, deve ser um trabalho em conjunto, com respaldo do poder público e propósito educativo.

Gravidez na adolescência

Dados de 2018 da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelaram que 1 a cada 5 bebês que nascem no Brasil é de mãe adolescente – 68,4 bebês para cada mil meninas com idades entre 15 e 19 anos. O país está entre os que apresentam maiores índices de gravidez na adolescência, superando a média latino-americana, estimada em 65,5, e muito acima da média dos Estados Unidos, que é de 22 nascimentos para cada mil. Já a média mundial é de 46 bebês a cada mil adolescentes nessa faixa etária.

A gravidez na adolescência é considerada de alto risco, por isso o pré-natal deve ser feito de maneira correta para evitar complicações durante gestação e parto. Entre as complicações, há maior risco de o bebê nascer com baixo peso, prematuro, chance de aborto espontâneo e até morte materna – aliás, a OMS alerta ser uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas.

A ginecologista Elaine Silva alerta ainda para o elevado índice de mortalidade entre filhos de mães adolescentes. Cerca de 20% da mortalidade infantil no Brasil decorre do óbito precoce nessa faixa etária.

Além dessas questões, a gravidez na adolescência chama a atenção para outros problemas.

“Com a interrupção da atividade escolar, a vulnerabilidade social de mãe e bebê fica maior. A incidência de hipertensão na grávida adolescente é cinco vezes maior, crises convulsivas (pré-eclampsia e eclampsia) também, assim como aumenta o risco de prematuridade e suas consequências. Vale ressaltar que nem sempre essa gravidez é indesejada, pois cerca de 25 % acontece por vontade da adolescente”, diz.

Gravidez na adolescencia

 

“O papel do ginecologista, da família e do estado passa a ser importante na divulgação desse assunto. Recentemente, o Governo Federal sancionou uma lei (nº 13.798) que institui a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. O objetivo é disseminar informações de teor educativo e métodos preventivos, contribuindo assim para a redução da gravidez precoce no Brasil. A medida passa a vigorar no Art. 8º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e será celebrada anualmente na semana que incluir o dia 1º de fevereiro”, destaca a médica.

 

DSTs

Segundo entidades de saúde, a transmissão da Aids dobrou entre jovens de 15 a 19 anos, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 na última década. Os números mostram que mesmo com as campanhas de prevenção, apenas um pouco mais da metade dos jovens entre 15 e 24 anos usa preservativo nas relações com parceiros eventuais.

No caso do HPV, um estudo feito pelo Ministério da Saúde revelou que cerca de 55% dos brasileiros entre 16 e 25 anos foram infectados pela doença. Assim como a AIDS, a transmissão do Papilomavírus humano ocorre durante a relação sexual, mas neste caso, em contato direto com pele ou mucosas infectadas. A presença de feridas nos órgãos genitais também facilita a transmissão da doença.

dsts

É muito importante o cuidado com a saúde em qualquer fase da vida, incluindo a adolescência. No caso de meninas, a Ginecologia é essencial para que se preserve a saúde, por isso, é muito importante pesquisar ou pedir indicações de bons profissionais, que façam bom acolhimento e sejam atenciosos. Isso irá facilitar a criação do vínculo de confiança desde cedo.

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