Gestação de risco

Quando a gravidez inspira cuidados

A espera por um filho é cercada de muito carinho, expectativas e cuidados com a saúde da mãe e do bebê. Neste período, os hormônios da gravidez causam muitas transformações no corpo da gestante, mudanças que podem ser observadas na pele, no cabelo e até mesmo no paladar e olfato – o gosto e o cheiro, por exemplo, ficam bem mais apurados. O volume sanguíneo materno também pode aumentar causando um esforço maior para o coração.

Cuidados antes (quando a mulher se prepara para engravidar), durante e após a gestação podem salvar a vida de mulheres e recém-nascidos.

De acordo com Raphael Leão, médico ginecologista obstetra do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama (HMCG), do Grupo Leforte, nesta fase, problemas de saúde pré-existentes ou complicações gestacionais podem surgir, mas em muitos casos a recomendação é apenas intensificar o acompanhamento médico. Por isso, o pré-natal é fundamental para uma gestação tranquila e bem orientada.

“Algumas das complicações que classificam a gravidez como de alto risco são hipertensão, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, doenças relacionadas à coagulação sanguínea, hipertireoidismo, entre outras”, esclarece.

 

Saiba mais sobre diabetes gestacional

Durante a gestação ocorre o desenvolvimento da placenta, o órgão que nutre o bebê e que, entre tantas outras funções, também produz alguns hormônios que interferem na ação da insulina.

“A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas da mãe e é a responsável por levar o açúcar do sangue para dentro das nossas células. A gestação, por si só, é um estado em que ocorre maior resistência à ação da insulina e, caso o organismo desta mulher não consiga superar essa resistência, ocorre aumento do açúcar no sangue, podendo levar a complicações materno-fetais,” explica Luciana Meireles Leonel de Avila, médica endocrinologista e integrante da equipe de Endocrinologia do Hospital Leforte.

Segundo a endocrinologista, o diabetes gestacional é diagnosticado a partir de um exame de sangue realizado logo nas primeiras semanas da gravidez – a glicemia de jejum sanguínea. É considerado diabetes gestacional quando a mulher apresenta hiperglicemia pela primeira vez durante a gestação, com valores no primeiro trimestre entre 92 e 125mg/dl. Caso o valor dessa glicemia esteja maior ou igual a 126mg/dl, após repetir o exame, a gestante é diagnosticada com diabetes mellitus, provavelmente já de início prévio à gestação. É importante ressaltar que todas as gestantes que não apresentaram critérios de diagnóstico de diabetes mellitus ou de diabetes gestacional no início da gravidez, ou seja, glicemia de jejum menor que 92mg/dL, devem realizar entre 24 e 28 semanas de gestação um exame de maior sensibilidade e especificidade chamado Teste Oral de Tolerância a Glicose (TOTG)  para reavaliação diagnóstica.

A maior parte das pacientes com o diabetes gestacional não apresenta sintomas. No entanto, quando o quadro está muito avançado, a gestante pode ter aumento da frequência de micções, muita sede e fraqueza – sintomas muito comuns em uma gestação habitual.

“Vale lembrar que gestantes com mais de 35 anos, com obesidade ou sobrepeso, Síndrome dos Ovários Policísticos, menos que 1.5m de altura, antecedente de diabetes gestacional (DMG) prévio ou de DM em familiar de primeiro grau, entre outros fatores, têm mais riscos de desenvolvimento de hiperglicemia na gestação”, alerta Luciana de Avila.

 

Os riscos da hipertensão

Outro vilão que preocupa durante a gestação é a hipertensão. Diferentemente do diabetes, ela é assintomática. “Por isso as gestantes hipertensas devem ser acompanhadas também por um cardiologista, pois o aumento da pressão arterial pode ocasionar a restrição do crescimento e sofrimento fetal crônico e até o óbito fetal, infarto e hemorragias maternas”, orienta o médico Raphael Leão.

E são várias os quadros de hipertensões: hipertensão arterial crônica (prévia a gestação), pré-eclâmpsia (pode ser chamada também de doença hipertensiva específica da gestação), pré-eclâmpsia superajuntada (pré-eclâmpsia mais hipertensão crônica). A eclâmpsia, por exemplo, é um estágio mais grave da pré-eclâmpsia, quando a gestante tem a doença associada à convulsão ou coma. Por isso, a principal recomendação é o acompanhamento médico. O profissional indicará exames especializados e as melhores alternativas de tratamento. Em comum, é manter hábitos saudáveis, alimentação natural e com pouco sal. Alguns casos exigem repouso e uso de medicações especificas.

 

Hábitos saudáveis que fazem a diferença

hábitos saudáveis na gravidez

Alimentação natural e equilibrada é a indicação para qualquer fase da vida. Mas durante a gravidez alguns alimentos devem ser evitados, enquanto outros consumidos com moderação.

O ideal é evitar excessos, e um prato colorido e variado é sempre uma boa pedida.

Conforme explica Renata Cirelli Correa, nutricionista clínica do HMCG, a gestante deve fazer seis refeições diárias, consumir pelo menos três porções de legumes e verduras, e apostar na dupla infalível para os brasileiros, que é o arroz e o feijão. Juntos, formam uma combinação completa de proteína excelente para a saúde. Verduras, assim como peixes crus, podem ser consumidos fora de casa desde que sejam de boa procedência, devido aos riscos de toxoplasmose. Porém, se der para consumi-los somente em casa, melhor.

“Para as gestantes que precisam fazer uso de adoçantes, os recomendados são a sucralose e a estévia. O consumo de sal também deve ser moderado, principalmente para as grávidas hipertensas,” ressalta a especialista.

A nutricionista alerta ainda que alguns alimentos devem ser evitados, como carne malpassada, peixes com alta concentração de mercúrio (cavala, peixe-espada e atum branco, por exemplo), leite não pasteurizado, devido aos riscos de contaminação. Aliás, a ingestão de leite e seus derivados deve ocorrer somente 30 minutos depois do almoço ou jantar, garantindo a absorção de ferro contida nos alimentos.

 

 

 

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