Preservativo: o acessório que pode salvar a sua vida

Preservativo: o acessório que pode salvar a sua vida

Não descuide da prevenção, pois as infecções por contato sexual –especialmente sífilis e aids – crescem de forma preocupante no país

O Carnaval se aproxima e, com ele, o governo intensifica mais uma campanha de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A festa mais popular do Brasil é o gancho que as autoridades se valem para lembrar da importância de usar preservativo em todas as relações sexuais. 

A maior preocupação do Ministério da Saúde é com os mais jovens, pois chama atenção o número crescente de algumas doenças entre essa faixa etária, segundo especialistas do Leforte.

Preservativo: o acessório que pode salvar a sua vida

Atual campanha do Ministério da Saúde de prevenção às ISTs.

“O alerta é cuidar para que o HIV (vírus que provoca a aids) não contamine outras pessoas. Junto com esse vírus, que pode debilitar o sistema imunológico, aparecem os casos de sífilis, outra grande preocupação”, afirma o infectologista Ivan Silva Marinho, do Grupo Leforte.

Ambas as infecções caminham juntas. Quando cresce a incidência de uma, aumenta a da outra, explica o médico. 

Para ele, o Brasil e o mundo vivem uma pandemia de sífilis, doença provocada por uma bactéria, a Treponema pallidum. Números da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que, diariamente, há 1 milhão de novas infecções pela Treponema pallidum. A contaminação favorece o risco de uma pessoa ser infectada pelo vírus HIV – estimativas mostram que  é 18 vezes maior em pessoas com ISTs em geral.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde do ano passado mostram que, entre 2010 e 2018 houve um aumento de 4.157% nos casos de sífilis. No mesmo período, o HIV aumentou 23% no país.

Pessoas com comportamento sexual de risco são as mais vulneráveis à contaminação. Se tiverem filhos, podem transmitir a bactéria, causando a sífilis neonatal.  Apenas em 2018, foram registradas no Brasil 241 mortes, todas devido à sífilis neonatal ou congênita.

Quem tem vida sexual ativa insegura precisa fazer o exame para saber se é portador tanto da bactéria da sífilis como do HIV, para tomar as medidas de tratamento e evitar que a cadeia de transmissão prossiga. 

A proteção com camisinha é a única forma de evitar essas doenças. Uma vez contaminado, é preciso tratar com urgência, seguindo à risca as indicações médicas. 

No caso da sífilis, vale ressaltar que a doença pode ser totalmente curada, com antibiótico. “O tratamento é muito fácil, mas o problema é que muitas pessoas não têm sintomas, não fazem o exame e não ficam doentes, mas transmitem a sífilis,”, esclarece Ivan Marinho. 

A mesma situação ocorre com portadores do HIV assintomáticos. Eles podem ficar muitos anos sem a doença, mas transmitem o vírus nas relações sexuais ou por sangue.

 

Sexo oral também pede proteção

Júlio Geminiano, urologista do Leforte, ressalta que tem observado um aumento muito grande de infecções transmitidas por meio do sexo oral.  “Tenho pacientes que se cuidam, mas descuidam na hora da relação oral”, pontua.

Para ele, a explicação para mais pessoas deixarem o preservativo de lado está associado ao fato de a aids  não assustar tanto como nos anos 1980, quando foi identificado o vírus. Não havia e não há ainda cura para a doença, mas os medicamentos hoje conseguem deixar o vírus indetectável no organismo, em algumas situações. 

Há cerca de 30 anos, muita gente morria da doença. Mas quem não vivenciou isso muitas vezes subestima a necessidade da prevenção, de acordo com os especialistas.  Por isso a recomendação do Ministério da Saúde em mudar o termo de doenças sexualmente transmissíveis para infecções sexualmente transmissível, diz o infectologista Ivan Marinho. “Nem todo mundo infectado tem uma doença, esse é o ponto que queremos ressaltar”.

 

 

Sintomas (quando aparecem)

  • Sífilis: ferida na região genital em homens e mulheres (sífilis primária), manchas no corpo (secundária), complicações cardiovasculares, ósseas e neurológicas (sífilis terciária);
  • Clamídia e gonorreia: corrimento, ardor para urinar, dor para ter relação e até infertilidade (mulheres); secreção na uretra e estreitamento do canal da uretra (homens).

 

Transmissão das ISTs:

  • Em geral por contato sexual oral, vaginal e anal
  • No contato com mucosas (oral, vaginal e anal) e secreções contaminadas 
  • Na gravidez, parto ou amamentação

 

Prevenção:

  • Ir ao médico pelo menos uma vez por ano, para se informar sobre riscos, fazer exames preventivos e diagnósticos, se for o caso;
  • Usar sempre, em todas as relações, preservativo masculino ou feminino;
  • Para quem se expôs sem cuidado: procurar dentro de 72 horas um serviço médico, onde receberá antibióticos e antivirais, para evitar que o vírus provoque a doença.

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