Mulher

Vivendo em paz com a pele no tratamento contra o câncer

Por Dra. Suzy Rabello – Dermatologista do Hospital Leforte


Instintivamente sabemos que a pele e as estruturas que dela se originam (cabelos e unhas) fazem parte da maneira como nos relacionamos com os outros e com a gente mesmo. A maneira como enfeitamos a nossa superfície, quer pintando o rosto, modificando penteados, pintando as unhas, tatuando a pele, etc., reflete muito do que somos e do que queremos transmitir ao mundo. Cuidamos muito de nossa autoestima pela maneira como nos mostramos em nossos ambientes de convívio, quer familiar, quer de trabalho ou estudo. Através destas expressões manifestamos, sem nenhuma dúvida, múltiplos aspectos de nossas personalidades e a maneira como encaramos o mundo, enfrentando-o.

Quando há o surgimento de doenças em que se usam tratamentos quimioterápicos podemos esperar algumas alterações em nossa pele, cabelos e unhas, que variam com o tipo de medicamento usado e com a resposta dada pelo organismo de cada pessoa. Essas alterações ocorrem por ação destrutiva dos medicamentos em todas as células do corpo que crescem rapidamente, o que acaba atingindo a pele e suas estruturas além do tumor que é o objeto da ação do tratamento.

 

 

Estas modificações visíveis podem dificultar a nossa autoestima, a nossa capacidade de interagir com outras pessoas, gerando uma distorção em nós mesmos da imagem que estamos acostumados a transmitir. Há como contornar estas modificações com auxílio da equipe de oncologistas, além de poder contar com a atuação conjunta do dermatologista. É possível minimizar estas alterações, desencadeadas pelas medicações quimioterápicas, através de tratamentos medicamentosos e estratégias estéticas.

 

Na maior parte das vezes as alterações causadas pela quimioterapia são passageiras, e podem ser minimizadas se tratadas de modo preventivo

 

Na maior parte das vezes as alterações causadas pela quimioterapia são passageiras, e podem ser minimizadas ainda mais se tratadas de modo preventivo, com medidas que são sempre importantes, como usar protetor solar, manter a pele bem hidratada, tomar banhos rápidos e não muito quentes, não esfregar buchas na pele, etc. Os cabelos podem ser protegidos evitando-se tracionar os cabelos ao escová-los, e diminuir um pouco a frequência de lavagens. Podemos também usar meios estéticos que propiciem alternativas ao problema como o uso de próteses capilares, ou o uso de turbantes que nos enfeitem.

Fundamental é perceber que somos capazes de continuar a sermos nós mesmos, independentemente da modificação de nossa expressão com o mundo, mesmo com as mudanças transitórias da pele, dos cabelos ou das unhas. Continuamos a nos fazer perceber, e nos posicionar. Com essa compreensão podemos atingir um novo tipo de conforto possível neste momento: a paz com a pele.

 

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