Painel do Leforte foi um dos mais disputados no TJCC

Os palestrantes abordaram questões como o enfrentamento do câncer com otimismo e qualidade de vida; o encerramento foi com o cantor e compositor Fábio Jr.


 

“Não sei se vocês têm a dimensão do bem que fizeram hoje para mulheres como eu, que enfrentam um tratamento de câncer. Tudo o que ouvi aqui e o momento de leveza que o Fábio Jr. nos proporcionou seguem comigo, me fortalecendo”, disse Ana Raquel Garcia Baptista, em tratamento contra um câncer de mama.

Ana estava sentada na 3ª fileira, e a câmera do celular, sempre apontada para o palco, só foi desligada por alguns instantes durante a apresentação de Fábio Jr., enquanto ela cantava e dançava. “Quero levar as histórias dos palestrantes comigo e, claro, gravei também uma música inteira que Fábio Jr. cantou. Esse show foi como um abraço em todas nós.”
 

Dr. Ricardo Antunes, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) e coordenador da Cirurgia Oncológica do Leforte Oncologia fala no TJCC 2018

 
Assim como Ana, dezenas de mulheres que estão na fase de tratamento acompanharam o painel Viver Está na Moda, organizado pelo Hospital Leforte durante a 5ª edição do Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), um dos principais congressos sobre câncer do País. O projeto Viver Está na Moda foi criado há dez anos pelo médico Ricardo Antunes, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) e coordenador da Cirurgia Oncológica do Leforte Oncologia. Atualmente, e integra hoje as ações do Leforte Ensino e Cultura. Entre elas (desde 2012) está a oficina De Bem com Você – a beleza contra o câncer, feita em parceria com o Instituto Abihpec, da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. Clique aqui e veja mais.

As boas-vindas aos participantes foi dada pelo médico e diretor de Inovação e Novos Negócios do Grupo Leforte, dr. Marcelo Medeiros. Ele falou sobre a importância do TJCC para o debate em todas as esferas que envolvem o câncer e apresentou também a completa infraestrutura que o Leforte Oncologia oferece aos pacientes e seus familiares, da investigação quando há suspeita de uma neoplasia, ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento. O dr. Marcelo mostrou ainda, de forma breve, a excelência do Leforte nas demais especialidades médicas, como Pediatria, Neurologia e Cardiologia.

Veja aqui o currículo dos palestrantes.

 

 

 

Os enfrentamentos necessários na luta contra o câncer

O dr. Ricardo Antunes fez a abertura do painel com um panorama sobre o câncer no Brasil, em especial o câncer de mama, reforçando a importância de promover informação e o acesso à saúde de forma equitativa e universal, possibilitando que mais mulheres consigam obter diagnóstico precoce da doença, essencial para as chances de cura.

“São 60 mil casos de câncer de mama por ano. É o tipo que mais mata brasileiras desde 1970. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, a OMS, uma em cada 20 mulheres desenvolverá a doença ao longo da vida. É um câncer especificamente sócio-ambiental, com impacto genético comprovado que não ultrapassa 7% do total. Infelizmente, cerca de 70% dos casos no país são diagnosticados em estágios avançados, e precisamos lutar contra isso, com informação eficiente e acesso à saúde que evite as filas proibitivas que vemos hoje no sistema assistencial público, que ampara perto de 80% da população”, destacou.

Sobre as ações do Viver Está na Moda, o dr. Ricardo Antunes deu ênfase na importância, especialmente para a mulher, de passar pela fase de tratamento buscando sempre um viés mais otimista. Nesse sentido, o cuidado com a beleza pode fazer toda a diferença. “Cuidar da pele, da sobrancelha, escolher um lenço colorido, enfim, essas atitudes ajudam a melhorar a autoestima e têm relevância no sucesso do tratamento”, conclui o médico oncologista antes de passar o microfone a Claudio Viggiani, presidente do Instituto Abihpec.

Claudio ressaltou que o projeto De Bem com Você – a beleza contra o câncer traz outra perspectiva da fase de tratamento e busca derrubar a ideia de que o câncer é uma sentença de morte. Ele salienta que cuidar da aparência e tentar manter atividades habituais pode trazer impactos sempre muito positivos à paciente.

“A mulher que já convive com tantas cobranças, que tem seus desafios no dia a dia, quando diagnosticada com câncer, precisa tentar evitar um comportamento de quase derrota. Muitas ainda passam por situações agravantes, com o abandono do parceiro, de amigos e até de familiares, então, é essencial darem total atenção a si. O projeto De Bem com Você atua com muita eficiência exatamente no fortalecimento da autoestima”, afirmou Claudio.

 

A história da palestrante Flavia Flores é um bom exemplo de que, quando a paciente consegue ter um olhar mais otimista e busca disposição para manter a rotina, a luta contra a doença ganha força. Ela descobriu um câncer de mama durante um trabalho como modelo e passou pelo rompimento do contrato com a empresa, pelo abandono do parceiro, que chegou a bloqueá-la nas redes sociais, e pelo afastamento dos amigos.

“Liguei para minha melhor amiga e ela disse que, quando pensava em mim, tinha vontade de chorar, por isso não falava mais comigo. Então pensei ‘eu preciso mostrar para as pessoas que eu sigo minha vida, vou à praia, faço minhas coisa e tudo bem’. Pesquisei na internet e vi que não havia material relacionando o tratamento de câncer com beleza, e assim nasceu a minha página no Facebook Quimioterapia e beleza. Aos poucos, mulheres que passavam pelo que eu passava começaram a entrar em contato e, de repente, já eram centenas de seguidoras”, contou.

A página no Facebook cresceu tanto que Flávia tem hoje um blog com milhares de seguidores, colunistas, notícias, dicas e tutoriais, enfim, um espaço acessível e que presta um serviço muito importante às pacientes em tratamento. Flávia Flores se tornou embaixadora do projeto De Bem com Você – a beleza contra o câncer, participa com frequência de eventos sobre o tema, mantém-se engajada no combate aos paradigmas da doença e está nas páginas da última edição da Revista Bem-Estar, produzida pelo Leforte Ensino e Cultura e Leforte Oncologia e entregue a todos os participantes do painel Viver Está na Moda.

 

Em muitos dos eventos que participa, a modelo compartilha espaço com Mariana Robrahn, fundadora da ONG Cabelegria, que arrecada cabelos e confecciona perucas para crianças e adultos com câncer. Desde sua criação, a ONG já doou mais de 2 mil perucas. A primeira foi entregue em 2013, a uma criança, e como era um universo muito novo, Mariana revelou que ela também precisou quebrar muitos preconceitos.

“Lembro que quando marcamos a entrega dessa primeira peruca eu pensava ‘vou encontrar uma criança muito debilitada… não posso chorar, porque preciso passar força a essa paciente’. Mas aí, cheguei na casa da Ana Júlia, que tinha 9 anos na época, e ela estava em frente à televisão, dançando muito com o desenho que passava. Levei um choque, porque fui surpreendida por uma criança ativa e feliz. Ganhamos motivação para nosso projeto e seis meses depois disso, aparecemos no programa do Luciano Huck, na Rede Globo, e então o número de doações subiu de forma que jamais imaginávamos”, lembrou.

Hoje, a Cabelegria possui duas costureiras contratadas e consegue confeccionar de 200 a 300 perucas por mês. Em breve, irá inaugurar o seu banco de perucas. Além da preocupação com a qualidade do produto, Mariana pensa também nas diferenças de perfis de pacientes. “Como acredito que a beleza vem de dentro, confeccionamos perucas para todos os estilos. Fizemos uma peruca de dread, e eu pensava em um adolescente que anda de skate recebendo uma peruca assim. Não é que essa foi para uma paciente de 53 anos! E ela nos confessou que sonhava em ter o cabelo assim.”

 

Os direitos das mulheres

Muito esclarecedora foi a fala da dra. Nise Yamaguchi, médica oncologista e personalidade muito atuante nas ações que envolvem o câncer. Membro da SBC e integrante do Conselho Estratégico do TJCC, ela classificou o congresso como uma voz importante no debate sobre tantos aspectos que envolvem o tema. Ela chamou a atenção para alguns gaps que precisam ser eliminados, como a falta de estrutura na rede pública, que não consegue dar o suporte necessário às mulheres nem antes e nem depois do diagnóstico de câncer.

““Nós temos o privilégio de contar, por exemplo, com teste genético para decidir se a paciente precisa ou não de quimioterapia, se o ideal é fazer uma mastectomia total, se haverá necessidade de retirar os ovários. Isso é poder dar uma condução personalizada ao tratamento das pacientes. Mas precisamos garantir essa mesma qualidade também na esfera pública. Infelizmente, existe um vale de sofrimento para muitas mulheres que dependem do poder público, por isso é essencial acabarmos com tamanha diferença. Estamos falando de mulheres ativas, em fase de trabalho, muitas das quais são a principal fonte de renda da casa, com crianças absolutamente dependentes”, enfatizou.

Dra. Nise destacou ainda outro viés essencial nas discussões sobre o câncer, que são os direitos garantidos por lei ao paciente oncológico. “Muitos pacientes sequer sabem que possuem direitos, razão pela qual temos a obrigação, como sociedade civil organizada, de olharmos com mais cuidado para isso.”

Aliás, o tema “direitos dos pacientes” foi amplamente abordado em matéria da última edição Revista Bem-Estar:

 

 

A procuradora e vice-corregedora de Justiça Criminal, dra. Tereza Cristina Exner, afirma que esse tipo de cartilha precisa estar disponível em toda a rede SUS, porque os pacientes diagnosticados com câncer de fato desconhecem seus direitos. Como exemplo, a procuradora citou a garantia, por lei, à mulher que passou por uma mastectomia de ter uma cirurgia de reconstrução de mama. A informação não é devidamente divulgada e o que é pior, a falta de estrutura da rede pública não oferece o suporte mínimo às mulheres.

“A lei diz que a mulher deve ser tratada em até 60 dias, mas esse prazo é a partir do diagnóstico. E até conseguir marcar o exame de biopsia no SUS? Nisso, passam meses, às vezes mais de ano, e esse tempo pode ser fatal. O Ministério Público vem atuando contra essa situação, e saliento que estamos abertos e dispostos a estar ao lado das pacientes na garantia de seus direitos.”

 

Encerramento em tom de festa

A plateia recebeu Fábio Jr. de forma calorosa. Logo na primeira música, o cantor passou a dividir o palco com pacientes do Leforte Oncologia que, durante o painel Viver Está na Moda, se preparavam com maquiagem e roupas da rede de lojas Marisa, parceira do Leforte na ação. (confira um editorial de moda feito com as pacientes na Revista Bem-Estar). Essa preparação foi exibida em tempo real no telão, atrás do palco.

Fabio Jr. foi presenteado pelo Leforte com uma placa de agradecimento e entregou rosas às pacientes que estavam com ele.

O TJCC foi realizado entre os dias 25 e 27 de setembro, no WTC Sheraton.

 

 


 

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