Oncologia Clínica

Oncologia Clínica

Por Bruno Conte, oncologista clínico do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama – Grupo Leforte


É a especialidade médica responsável pela prevenção, diagnóstico e tratamento de qualquer tipo de câncer. Na prática clínica, o oncologista clínico lida com todos os tipos de tumor, e o tripé do arsenal terapêutico moderno situa-se em cirurgia, radioterapia e tratamento sistêmico, também chamado medicamentoso. As linhas de tratamento disponível hoje para enfrentar tumores malignos são extremamente diversificadas, e os principais exemplos são quimioterapia, terapia alvo, hormonioterapia e a imunoterapia.

O câncer é um conjunto de doenças com manifestações clínicas, cujo tratamento e prognóstico são diferentes uns dos outros. Os principais tipos de câncer no Brasil são de mama, próstata, pulmão e os do trato gastrointestinal, como o colorretal. A preocupação com o diagnóstico precoce, assim como o início da terapêutica de forma ágil, são chaves para o sucesso no tratamento.

Há um enorme esforço, por parte da Oncologia Clínica, no fortalecimento da prevenção primária do câncer, ou seja, na adoção de um estilo de vida saudável, baseado em dieta rica em frutas, vegetais e grãos integrais, e pobre em gordura saturada. Somam-se a isso atividade física, cessar o tabagismo, limitar o consumo de álcool, dentre outras.

 

Tratamento Sistêmico

Hoje, essa modalidade terapêutica engloba diversas classes de medicamentos capazes de combater o câncer em suas mais diferentes formas de apresentação clínica.

Quimioterapia: consiste em fármacos que promovem dano ao material genético da célula tumoral, ou seja, agride moléculas ou pedaços do DNA (Acido Desoxirribonucleico). Este grupo de compostos é o mais antigo na história da Medicina, amplamente utilizado no tratamento dos mais variados tipos de câncer e forte integrante do arsenal para tratar neoplasias de mama, pulmão e colorretal, por exemplo. Atualmente, existem medicamentos eficazes e estratégias alimentares que auxiliam no combate aos efeitos colaterais, como náuseas e vômitos.

Terapia alvo: medicamentos mais modernos que visam alvos específicos nas células dos tumores malignos. Importantes avanços do tratamento oncológico ocorreram após a descoberta desta classe de medicamentos. O exemplo inicial é o Imatinibe, utilizado para tratamento de Leucemia Mielóide Crônica. Após este avanço, diversas outras classes farmacológicas surgiram e passaram a fazer parte da rotina clínica. Este grupo atua como uma espécie de freio, impedindo o crescimento celular. Em alguns casos, especialmente nos portadores de mutações genéticas especificas, os pacientes possuem maiores chances de resposta com o uso destas substancias.

Hormonioterapia: alguns tumores, em especial os de mama e próstata, são altamente sensíveis a essa terapia. Isto ocorre porque, nestes tipos de câncer, as células possuem receptores para os hormônios sexuais tanto do homem como da mulher, e que atuam no desenvolvimento da doença. Portanto, são potenciais agentes terapêuticos. Talvez, o exemplo mais ilustrativo seja o Tamoxifeno, droga que passou a ser responsável, após sua aprovação, por cerca de 40% de redução na mortalidade por câncer de mama.

Imunoterapia: o mais recente avanço no tratamento oncológico e também considerado o mais promissor. Este grupo de medicamentos estimula o sistema imunológico do individuo a reconhecer o câncer como inimigo e assim conseguir eliminá-lo. Esta modalidade funciona somente em casos específicos e bem selecionados pelo especialista. A célula do câncer somente se torna um risco para o corpo a partir do momento em que a doença ganha do nosso sistema imunológico. Na verdade, a imunoterapia faz parte do tratamento sistêmico oncológico há décadas, no entanto somente com os recentes avanços nesta área que novas drogas se incorporaram à prática clínica.

Fato é que os desafios no tratamento do câncer são imensos e de proporções nunca antes exploradas, visto a magnitude dos avanços em termos de sobrevida em doenças antes consideradas incuráveis, como o melanoma metastático (um tipo de câncer de pele). Hoje, estas doenças são passíveis de reversão e em alguns casos, por muitos anos. Os principais exemplos de tumores malignos que contemplam deste beneficio são o melanoma, câncer de pulmão e câncer de rim. Temos a aprovação da Anvisa no Brasil para uso clínico em mais de cinco tipos de câncer. E surgem novidades a cada momento.

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Prevenção

Tanto do câncer como de qualquer doença crônica (principais causas de incapacidade física em nossa sociedade, como aterosclerose, obesidade, diabetes, doenças autoimunes e infarto do coração – número 1 de mortalidade no Brasil), a prevenção não comunicável somente se constrói quando há intensa mudança no estilo de vida.

Os fatores ambientais são responsáveis por 98% dos tipos de câncer, sendo o fator hereditário o causador exclusivo da doença em torno de 2% dos casos. Tabagismo, poluição, vírus (HPV), radiação ultravioleta (UV), padrão alimentar com alto consumo de proteína animal e baixo em frutas e vegetais e alimentos integrais são exemplos de fatores que agridem a célula e seu DNA, e em conjunto tornam-se os responsáveis pela imensa maioria dos casos.

A atividade física, como caminhadas de intensidade leve a moderada, deve ser diária, assim como medidas de controle de estresse e de equilíbrio do sono. Existem evidências robustas e modernas que indicam a capacidade física como um importante fator protetor contra o câncer. Isto significa que a prática regular de exercício é uma atitude com amplo respaldo científico para a atuação médica na prevenção da doença.

Para a realização de qualquer atividade física recomenda-se a supervisão de um profissional habilitado, com competência para adequar a atividade à capacidade física do individuo, além, é claro, de estruturar um plano nutricional adequado que se ajuste às necessidades calóricas e de nutrientes. Desta forma, a atividade física será adequada ao biotipo e possíveis problemas, como lesões musculares e sobrecarga cardiorrespiratória, por exemplo.


Dr. Bruno Conte

oncologista clínico do Hospital e Maternidade Dr. Christóvão da Gama – Grupo Leforte

 

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