Obesidade atinge cada vez mais crianças

Obesidade atinge cada vez mais crianças

Hábitos de vida inadequados são os principais responsáveis pelo problema

 

Saiu de cena a desnutrição na infância – doença responsável, no passado, por muitas mortes – e ganhou espaço a obesidade infantil. Hoje, ela é uma das principais preocupações de especialistas que lidam com crianças e adolescentes. Isso porque uma criança ou adolescente obeso tem muitas chances de se tornar um adulto também obeso, com grande impacto sobre a saúde.

Nos últimos 30 anos, segundo a médica pediatra Talita Rizzini, coordenadora da Pediatria do Hospital Leforte Liberdade, triplicou a prevalência de crianças com sobrepeso no mundo todo. A obesidade atinge 1 bilhão de pessoas no planeta, um número assustador.

Em países da África, onde tantas crianças já foram vítimas de desnutrição, a obesidade se consolidou, de acordo com a médica. “Existem atualmente quatro vezes mais pessoas obesas do que desnutridas no continente africano”, afirma.

Ela alerta que a prevenção da obesidade, uma doença multifatorial, deve ser iniciada ainda no útero materno. “É preciso atenção aos hábitos de alimentação da gestante, especialmente daquelas que apresentam sobrepeso ou mostram que essa condição é recorrente na família.” Uma criança que nasce nesse meio tem grandes chances de vir a se tornar obesa.

E a questão principal não tem relação com estética, como muitos pensam. A obesidade traz sérias complicações de saúde, como doenças do coração, diabetes e problemas ortopédicos importantes.

Uma criança obesa em geral dorme mal, lembra Talita, pois tem maior probabilidade de sofrer de apneia do sono (paradas repetidas da respiração, por obstrução das vias). Isso provoca impacto no aprendizado e até no relacionamento com outras crianças. Menos disposta, ela brinca menos também, o que contribui para o aumento do peso e menor sociabilidade.

 

Obesidade atinge cada vez mais crianças

Diabetes tipo 2 tem crescido em jovens por conta do excesso de peso

O endocrinologista Marcio Krakauer é coordenador do serviço de Endocrinologia do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama – Grupo Leforte. Ele traz à tona outro grave problema de saúde associado à obesidade: o diabetes tipo 2.

A doença se caracteriza pela produção insuficiente de insulina pelo pâncreas. “É um problema que atinge mais as pessoas acima dos 40 anos, mas, surpreendentemente, tem afetado jovens, por conta do excesso de peso”, explica.

Se não controlado, pode levar a uma série de complicações no organismo. 

Vida mais sedentária (muito tempo na frente de telas, de forma geral: tablet, celular, televisão, computador), com menos atividades ao ar livre, menos tempo dos pais com os filhos e maior ingestão de alimentos altamente calóricos, como fast foods e produtos industrializados, são os grandes vilões por trás da doença.

A hereditariedade e a genética têm um papel menor aqui, a questão está mesmo mais relacionada a hábitos de vida, segundo diversos estudos. Por isso o tratamento em geral não é medicamentoso, salvo em casos muito específicos.

“Atualmente, homens e mulheres trabalham fora de casa. Ao chegarem do trabalho, estão cansados, e o caminho mais fácil é recorrer a aplicativos para garantir a alimentação da família”, aponta Talita. Mas esse hábito precisa ser revisto. “O tratamento da obesidade se faz em conjunto com a família da criança, se não houver uma mudança nos costumes, não há progressos”, ressalta.

As doenças decorrentes do aumento de gordura no corpo são as que mais matam precocemente. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 30% dos óbitos no Brasil são provocados por doenças cardiovasculares (infarto, AVC) antes dos 70 anos de idade.

 

Atividade física e controle alimentar para tratar e prevenir obesidade

Pesquisa realizada em 2016 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que, em cada dez crianças e adolescentes, oito não realizam atividade física suficiente. No Brasil, esses dados são mais preocupantes: 84% não praticam atividades. Foram avaliados 1,6 milhões de jovens com idades entre 11 a 17 anos, em 146 países.

O cenário aqui no país vem se mostrando estável, sem sinalizar melhora. E isso preocupa, porque pode contribuir para quadros de obesidade. 

E não existe fórmula mágica para evitar ou tratar o problema, segundo os especialistas. As causas ambientais ainda são as principais, e entre elas está a falta de atividade física aliada ao consumo de produtos altamente calóricos e ultraprocessados (biscoitos recheados, sorvetes, doces, pães, massas).  

No caso da alimentação, de acordo com o endocrinologista Marcio Krakauer, precisa privilegiar produtos in natura, como frutas, legumes e vegetais. “Mudar hábitos da família toda é um desafio. Por isso o tratamento deve começar precocemente”, reconhece Talita. É na infância, diz a especialista, que a criança desenvolve sua capacidade de autocontrole e aprende a consumir um ou outro alimento.

Obesidade atinge cada vez mais crianças

 

Os pais devem ser exemplos, ensinando e estimulando à prática de atividade física e alimentação saudável. Dessa forma, aumentam as chances dsses hábitos seguirem ao longo da vida adulta. 

“A criança precisa ser incentivada a brincar livremente, correr, andar de bicicleta, patinar, jogar bola”, afirma Krakauer. “Não é preciso matriculá-la em academia, porque as medidas são simples. Mas tanto em situações preventivas ou de tratamento, precisam ser constantes”, observa.

 

Principais causas da obesidade infantil:

  • Ansiedade
  • Sedentarismo
  • Alimentação com alto consumo de produtos industrializados

 

Causas menos comuns:

  • Hormonais, provocadas por problemas endócrinos
  • Genéticas, causadas por conta de algumas síndromes
  • Hereditárias

 

Riscos que a obesidade pode acarretar:

  • Asma e apneia do sono
  • Problemas ortopédicos
  • Assaduras
  • Aumento da hipertensão arterial
  • Aumento do colesterol e triglicérides
  • Depressão e isolamento social
  • Diabetes tipo 2
  • Infarto
  • AVC

 

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