quando se para de fumar

O que muda no paladar quando se para de fumar


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é uma epidemia global, com proporções significativas, sendo um dos mais importantes problemas de saúde pública. Está associado ao risco de maior desenvolvimento de doenças respiratórias, vários tipos de neoplasias, doenças cardiovasculares, além de diabetes tipo 2, entre muitas outras doenças.

No dia nacional de combate ao fumo, gostaríamos de esclarecer uma grande dúvida: afinal, parar de fumar altera o metabolismo e pode provocar ganho de peso?

A cessação do tabagismo pode, em alguns casos, promover o ganho de peso nos primeiros meses do processo, principalmente em mulheres. Entre as pessoas que engordam, a maioria ganha entre três e quatro quilos. Aproximadamente 10% das pessoas que param de fumar apresentam maior ganho ponderal, podendo ultrapassar dez quilos ou mais. Porém, um plano alimentar equilibrado, atividade física regular e tratamento farmacológico (quando necessário) podem atenuar este processo. O tabagismo é considerado uma doença e nessa condição, precisa de tratamento com uma equipe multidisciplinar para aumentar a chance de sucesso quando a pessoa decide parar de fumar.

A preocupação com o ganho de peso parece influenciar negativamente mais as mulheres, e isso, em muitos casos, acaba interferindo fortemente na decisão de parar de fumar.

O mecanismo de ganho de peso após a abstinência tabágica está diretamente relacionado a um decréscimo na taxa de metabolismo basal e à atividade de uma enzima lipoproteína lipase, além de estar associado à melhora do paladar e olfato, além de aumento do apetite, contribuindo para as mudanças nos hábitos alimentares. Também pode ser justificado pela substituição do cigarro pelo alimento. É comum observar entre as pessoas que param de fumar uma maior necessidade de consumir doces ou, então, de mastigar algo, já que comer causa satisfação assim como o ato de fumar.

 

Cigarro  x  paladar

Atualmente, são poucos os trabalhos que avaliam a relação entre o uso de tabaco ou sua abstinência com o consumo de determinados grupos de alimentos. No entanto, foram testados os mecanismos de palatabilidade com o intuito de avaliar se os fumantes, após a ingestão de determinados alimentos, relatariam aumento ou diminuição da percepção de sabor do cigarro. Foi constatado que bebidas descafeinadas e produtos lácteos reduziam o sabor do cigarro. Em contrapartida, carnes vermelhas com alto teor de gordura, além de bebidas cafeinadas e álcool, aumentavam a percepção desse sabor.

Por isso, vale a pena investir em alguns grupos de alimentos para auxiliar na saciedade, e contribuir para o controle da fissura tabágica e do ganho de peso. Lembrando também da importância e necessidade de consumir de 6 a 8 copos de água e fracionar as refeições.

 

Alimentos que ajudam quando se para fumar

Abacate e banana: fontes em triptofano, precursor de serotonina, hormônio que atua na sensação de prazer e bem-estar.

Alho: auxilia na remoção do excesso de muco na cavidade torácica, contribuindo para eliminar as toxinas do cigarro. Contém também outros importantes nutrientes, como vitaminas A e C, potássio, fósforo, selênio, aminoácidos e enxofre, essenciais para o sistema imunológico.

Arroz integral: rico em selênio, mineral que também possui ação antioxidante e ajuda a eliminar os radicais livres do fumo. O seu consumo também ajuda a prevenir doenças cardíacas, como infarto e derrame.

Aveia e mix de castanhas: devido ao alto teor de selênio, geram um potente antioxidante que elimina os radicais livres e atuam na preservação do sistema cardiovascular.

Brócolis: possui propriedade chamada sulforafano, que ajuda a reduzir os danos nos pulmões de quem possui doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite crônica e enfisema, problemas sérios decorrentes do fumo.

Cenoura: possui vitamina A, que auxilia na proteção dos pulmões e também ajuda a eliminar os radicais livres provocados pelo tabaco. Excelente opção de snack para os lanches intermediários.

Gengibre: possui gingerol, substância que tem ação antioxidante e melhora o funcionamento dos sistemas respiratório e circulatório. Interessante neste processo mascar alguns pedacinhos de gengibre ao longo do dia ou acrescentá-lo na água. Ação levemente termogênica, que ajuda a controlar o peso.

Laranja: fruta rica em vitamina C, leva à diminuição de secreção de cortisol (hormônio presente na resposta ao estresse). O controle do estresse ajuda a diminuir a vontade de fumar.

Leite e derivados: a ingestão destes alimentos altera o sabor do cigarro e estimula a produção de serotonina (hormônio da tranquilidade), inibindo a ansiedade.

Semente de abóbora: é fonte de nutrientes importantes no combate de radicais livres e que também ajuda a eliminar as toxinas do corpo e a controlar a compulsão por doces durante as crises de abstinência.

O principal a se considerar é que a cessação do tabagismo reduz significativamente a morbidade e mortalidade, diminuindo de forma expressiva os riscos de doenças cardiovasculares e neoplásicas. Os sintomas respiratórios de tosse e pigarro também melhoram algumas semanas depois da interrupção.

 


 

 

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Marisa Diniz Graça

Marisa é Nutricionista Clínica Funcional do Hospital Leforte e especialista em Nutrição aplicada à saúde e qualidade de vida. Atua como palestrante e conferencista em universidades, empresas privadas e públicas e também possui formação como Pedagoga e Psicopedagoga.

 

Fontes: Sociedades de Cardiologia e pesquisas acadêmicas

 

 

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