O perigo das dietas por conta própria

Por Marisa Diniz, nutricionista do Hospital Leforte


Em plena era digital, o fácil acesso a informações permite às pessoas buscarem conhecimento sobre alimentação saudável, dietas, opções para melhorar a qualidade de vida, entre tantos outros temas. Quando a busca é por emagrecimento, geralmente modificam hábitos alimentares por conta própria, sem se dar conta de que isto poderá representar um problema sério de saúde em longo prazo e, consequentemente, recuperando o peso perdido.

Infelizmente, as referências de “alimentação saudável” mudaram muito nos últimos anos. Nota-se que quanto mais diferente, complexa e exclusiva for a dieta, mais ela será valorizada. Em vez do viés da saúde, muitas vezes a redução do consumo calórico é o único motivador. Ou seja, a dieta, levada à risca e por conta própria, pode representar uma prática errada. Temos aí o início de um grande problema.

Quando tentamos a todo custo reduzir o consumo calórico, nosso metabolismo entra em estado de atenção e de alerta, fazendo de tudo para poupar energia e gerando mecanismos para garantir nossa sobrevivência. Então, entramos em um círculo vicioso: restrição – compulsão – fracasso – frustração.

Por essa razão, dietas restritivas não funcionam.

É preciso resgatar uma nutrição mais gentil, mais humanizada, sem terrorismos, ajudando as pessoas a melhorarem a relação com a comida e com o corpo. Dessa forma, minimizamos medos, angústias e crenças disfuncionais que só trazem sofrimento e frustação. O ideal é reconstruir a confiança e atentar-se para os sinais de fome e saciedade.

Os profissionais devem reforçar as orientações e conscientizar as pessoas de que não é saudável excluir grupos alimentares (a não ser que haja alguma justificativa clínica para isso). Carboidratos, proteínas de origem animal e vegetal, gorduras boas, leite e derivados, vegetais e frutas devem fazer parte da nossa alimentação diária.

A lista de sintomas da falta de grupos de alimentos em dietas da moda é muito grande: pele ressecada, queda de cabelo, fragilidade nas unhas, mau humor (porque faltam nutrientes importantes para o funcionamento do cérebro), mau hálito, insônia, dores de cabeça, desidratação, dificuldade de concentração e até mesmo prejuízos na função cognitiva e desmaios. São sintomas característicos de uma hipoglicemia (redução nos níveis de açúcar no sangue).

Por isso, não caia na armadilha das dietas milagrosas. Não adianta privar o organismo de nutrientes importantes. Em vez de optar por um regime rigoroso e restritivo, procure um profissional e comece reeducação alimentar.

 

 


 

Leia mais:

O que colocar na lancheira das crianças?

Saúde do coração da mulher

Hipertensão arterial

Search

+