O atendimento pediátrico visto pelo viés multidisciplinar

Entrevista com Dra. Denise Bedoni


Do nascimento à puberdade, o desenvolvimento saudável da criança depende de um conjunto de cuidados, com acompanhamento pediátrico e de outros profissionais, para oferecer completo suporte clínico. Essa linha de atendimento permite observar os avanços da criança de forma integral, assim como identificar possíveis problemas, tanto cognitivos como de crescimento.

Por essa razão, o Leforte Kids possui equipe que contempla, além de pediatras (em todas as especialidades, com destaque para Peneumologia, Cardiopediatria, Nefrologia, Cirurgia Pediátrica, Otorrinolaringologia, Oncohoemato, Neuropediatria – enxaqueca e distúrbios do sono), psicólogas, com atenção para o autismo (triagem ocorre uma vez na semana), Odontopediatria, com enfoque em Oncologia, além de profissionais que trabalham na parte motora e relaxamento muscular.

A pediatra Denise Bedoni entende que equipes multidisciplinares fixas nos hospitais, atuando tanto nos ambulatórios como no pronto-socorro, é o melhor caminho no cuidado de crianças. Em entrevista, a médica fala dos ganhos que essa linha de assistencial traz para toda a estrutura, em especial para a criança e sua família.

 

Integrar a atuação de profissionais resulta em um atendimento de fato mais eficiente?

Sim, sem dúvida. As consultas de rotina, dos primeiros dias de vida até a adolescência, são muito importantes, pois só dessa forma é possível ter condição de orientar a família da melhor maneira. E se você forma uma equipe de profissionais que atuam em diferentes especialidades, os resultados serão mais efetivos.

 

É um desafio para o pediatra criar laços com a família e com a criança, mas ao construir essa relação, os ganhos são para ambos os lados, certo?

Sim, principalmente para a criança. Um local com equipe que engloba do pediatra que faz Puericultura ao hebiatra, que é o médico da adolescência, acaba se tornando referência. Trata-se de estrutura completa e isso possibilita atrair demanda de todas as faixas etárias. Existem poucos lugares em que uma quantidade grande de pediatras faz Puericultura. Em hospitais, por exemplo, é habitual o pediatra que só faz emergência.

No Leforte Kids todos os pediatras têm como prática atender crianças em visitas de rotina. Com isso, prestam assistência a uma quantidade maior de pacientes, e isso tem sido importante. Imagina que, ao manter esse modelo, vamos criando os laços, as famílias colocam em suas rotinas a visita ao pediatra e, com orientação médica, fazem o acompanhamento e a prevenção. A criança se desenvolve melhor, com menos idas ao pronto-socorro. Essa prática estreita laços e aumenta a confiança dos familiares na equipe clínica.

 

E o Leforte Kids já atua nesse formato.

Sim, já seguimos essa linha, justamente pela diferença que faz no tratamento da criança. Uma vez orientada, a família não deixa o processo evoluir, e isso resulta inclusive em credibilidade. No caso de um início de resfriado, por exemplo, a família já terá tido orientações de como lidar, como tomar as primeiras providências sem ter que levar a criança ao pronto-socorro. Às vezes, uma medida simples, como administrar um xarope e fazer inalação, ameniza uma crise de tosse.

 

E ainda desafoga o PS.

Claro, porque quando não há o hábito das consultas de rotina, qualquer problema acaba indo para a urgência. Uma família não acostumada ao tipo de atendimento, uma vez que entra em contato, surpreende-se e acaba fidelizando-se.

 

O acompanhamento reflete também na cobertura vacinal?

Reflete sim. Aliás, isso é outro diferencial nosso. A parte da vacina está ligada ao ambulatório de Puericultura, e como nós temos um Centro de Vacinas na unidade Morumbi, o médico consegue orientar os pais para que mantenham a vacinação dos filhos em dia. A família já se organiza para atualizar a carteira.

 

E do ponto de vista da equipe de pediatras, quais os ganhos dessa linha de atuação?

É bastante valioso. De forma geral, nós precisamos evoluir para que os pediatras se fortaleçam, e fazer ambulatório contribui para isso. É um amadurecimento para o médico. Muitas vezes, o pediatra quer apenas a emergência, mas o ambulatório cria vínculo, exercita a paciência, ajuda a lidar com a família de um jeito mais íntimo. O atendimento ambulatorial exige do médico uma maneira de falar muito particular, pois a conversa com os pais precisa fluir, quebrando resistências. Aliás, muitas vezes a primeira resistência a ser quebrada é do próprio médico.

Nós oferecemos esse suporte para nossa equipe, pois estimulamos que todos passem pelo ambulatório.

 

Como se fossem treinamentos.

Exato. Quando o pediatra começa a fazer esse treino, ele “quebra” todas as resistências e deixa as coisas melhor dirigidas e mais dinâmicas. O médico amadurece, desenvolve habilidades, ganha vasta experiência, estreita laços. Já a família aprende a criar hábitos, seguir orientações e procurar o PS realmente em casos de urgência. Todos se beneficiam.

 

Dra. Denise Bedoni

É médica pediatra do Hospital Leforte. Possui graduação em medicina pela Universidade de São Paulo e Residencia Médica em Pediatria Geral com especialização em neonatologia também na Faculdade de Medicina USP. Dentre as experiências foi colaboradora no Instituto da Criança do Hospital das Clinicas de São Paulo – 1988 – 1990 e é sócia fundadora da Clin Kids.

 

 

 

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