Meu filho não come nada! o que fazer?

Meu filho não come nada! O que fazer?

Artigo por Dra. Marisa Diniz


Uma das maiores preocupações dos pais é se o filho come bem.

Sabemos que as preferências alimentares das crianças são estabelecidas nos primeiros anos de vida e quando as crianças recusam alimentos nutritivos como frutas, legumes e verduras, o momento das refeições se torna cada vez mais estressante. Pais e cuidadores se sentem frustrados, exaustos e muitas vezes culpados e incapazes de lidar com a situação.

Temos na nossa cultura a ideia de que comer bem é comer muito, e também a falsa ideia de que a criança comendo muito será mais resistente às doenças. Infelizmente, esta conduta pode induzir ao hábito de consumir porções maiores do que o necessário e à preferência por alimentos mais palatáveis e hipercalóricos.

Atenção especial a alguns pontos:

É comum que a criança tenha preferência por aquilo que seja mais palatável. Geralmente, são alimentos com alta densidade energética, elevado teor de gordura, excesso de açúcar e de carboidratos refinados, com o agravante de apresentarem valores nutricionais deficientes. O alto consumo destes alimentos confunde o paladar, fazendo com que a criança rejeite alimentos in natura.

É importante respeitar um período mínimo de 2 a 3 horas entre as refeições. Também é um equivoco deixar a criança o dia todo sem comer para que ela sinta fome na hora do jantar, o que, além de não funcionar, pode causar muito estresse e ansiedade.

É importante manter uma rotina alimentar, sentar à mesa para comer em horários regrados, oferecer alimentos em diferentes formas de preparo, cores e texturas em todas as refeições (mesmo que haja rejeição). Evitar distrações como celulares ou TV ligada é medida importante para que a criança entenda que aquele é um momento importante do dia.

O paladar e a saciedade da criança devem ser respeitados. Muitos pais têm expectativas em relação às quantidades, porém o comer pouco é relativo, uma vez que cada criança necessita de um determinado aporte de alimentos para estar saciada. Por isso, nada de fazer comparações com os irmãos ou filhos de amigos, nem forçar a comer ou chantagear (oferecer algo em troca de comida não é ideal, pois a criança passa a entender que os alimentos funcionam como moeda de troca).

Problemas alimentares

  • Anorexia fisiológica (quando a criança não come): ocorre geralmente no fim do segundo ano de vida e pode durar cerca de 4 ou 5 anos, período caracterizado pela desaceleração no crescimento e diminuição do apetite da criança.
  • Anorexia seletiva ou seletividade alimentar: é a recusa total ou parcial de determinados tipos de alimentos, sendo frutas, verduras e legumes os mais comuns.
  • Neofobia alimentar é o “medo do novo”: é a rejeição em experimentar novos alimentos, comum em crianças menores, cuja variedade na alimentação é menor, resultando em déficit de nutrientes.

Por experiência (prática clínica), dinâmicas, interações familiares, exposição repetida de alimentos, entre outras ações, auxiliam na orientação das famílias, de forma lúdica e gostosa, a diminuir a seletividade alimentar e neofobia.

 

Exemplo de dinâmica

– Separe pequenas porções de alimentos que a criança geralmente recusa (beterraba, cenoura, maçã, pera, mamão…)

– A família deve se sentar à mesa com os olhos vendados e uma pessoa colocar para cada membro um prato com um alimento (a criança não pode ver o alimento)

– Todos terão que adivinhar ou descrever o que está provando e se gostou

– Ao final, desvende todos e mostre a eles o que experimentaram

O ideal é fazer varias rodadas e com diferentes alimentos. Este tipo de dinâmica costuma funcionar bem e a criança descobrirá o sabor de um alimento que nunca havia experimentado.

 

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