Leptospirose: contágio e prevenção

Leptospirose: contágio e prevenção

Causada pela bactéria Leptospira interrogans, a leptospirose é uma doença infecciosa potencialmente grave, transmitida por roedores, suínos, bovinos, caprinos, equinos, além de cães e gatos. É primariamente uma zoonose, ou seja, uma doença de animais, e estes, mesmo quando vacinados, podem ser portadores assintomáticos da bactéria (ela se instala nos rins e pode permanecer no meio ambiente por até seis meses depois de ter sido excretada pela urina).

O rato é o principal responsável pela contaminação em pessoas, que ocorre pelo contato direto com a urina de animais infectados ou com a água contaminada. A bactéria penetra na pele, nas mucosas ou em pequenos ferimentos, espalhando-se pela corrente sanguínea. A infecção também pode se dar com a ingestão de água ou alimentos contaminados.

Em países em desenvolvimento, como o Brasil, em que nem todas as regiões possuem saneamento básico, o número de casos de leptospirose aumenta quando a temperatura e o índice de chuvas sobem, provocando enchentes, alagamentos e transbordamento de esgotos e rios. Nesses países, portanto, populações de baixa renda, principalmente das periferias, ficam mais expostas aos riscos e são, de acordo com registros de órgãos de saúde, as mais afetadas.

 

img sintomas leptospirose

Sintomas

A janela para que a pessoa infectada apresente sinais da doença pode ser de até 30 dias após o contato com a bactéria (o período médio de incubação é de dez dias). Geralmente, são sintomas discretos ou nem mesmo aparecem. Os mais comuns são:

  • Febre alta de início súbito
  • Calafrios
  • Dores de cabeça e no corpo
  • Diarreia
  • Náusea ou vômito
  • Calafrios
  • Fadiga
  • Dor de garganta
  • Irritação na pele
  • Olhos avermelhados
  • Tosse e faringite
  • Meningite, com boa evolução do quadro em até uma semana

Aproximadamente 10% dos casos evoluem para quadros mais graves: olhos amarelados (icterícia), manifestações hemorrágicas (sangramento no nariz e gengivas, por exemplo), chances de apresentar problemas renais e até mesmo coma. Essa forma grave é denominada doença de Weil.

Os primeiros sintomas da leptospirose podem ser confundidos com os de outras doenças, como dengue, malária, gripe, febre amarela e hepatite. Por isso, é importante consultar um especialista o quanto antes. Por meio de anamnese e exames laboratoriais é possível chegar ao diagnóstico correto. Quanto mais rápido for o diagnóstico, maiores serão as chances de evitar a evolução da doença.

Então, é muito importante que, se houver exposição ao risco de leptospirose (contato com água ou lama proveniente de enchente, por exemplo), a pessoa procure ajuda médica.

 

Como tratar a doença?

Assim como ocorre com a dengue, há riscos de uso de alguns medicamentos. Fórmulas que contenham ácido acetil-salicílico, por exemplo, podem aumentar chances de sangramentos. Certos grupos de anti-inflamatório também podem trazer graves efeitos colaterais.

Hidratação e descanso costumam ser as principais orientações aos pacientes. Se o diagnóstico for feito nos primeiros dias, o uso de antibiótico pode ser alternativa, pois seu efeito reduz as chances de a doença evoluir para a forma grave.

Quando a pessoa infectada apresenta meningite ou icterícia, o mais adequado é mantê-la internada. As formas graves da leptospirose exigem acompanhamento rigoroso, com possibilidade de terapêuticas para tratar insuficiência renal.

 

Enchentes e Leptospirose

Previna a leptospirose!

No caso de enchentes

– Evite qualquer contato com a água ou a lama. Caso não seja possível, procure proteger a pele “impermeabilizando” pernas, pés e mãos– use calça impermeáveis ou plásticos nas pernas (lembre-se de vedar bem), calce galochas e luvas de borracha

– Desinfete ou lave os ambientes e móveis atingidos pela enchente com água sanitária. Para isso, além das galochas, use luvas

 

Consumo de água e alimentos – caso exista qualquer suspeita de contato com água contaminada

– Comunique imediatamente a companhia de abastecimento

– A água deve ser fervida por, pelo menos, 1 minuto

– Descarte qualquer alimento que tenha tido o mínimo de contato com a água e que não podem ser fervidos

 

Além disso

– Lave sempre (e muito bem) verduras e legumes antes de consumi-los (existem no mercado produtos específicos que ajudam na higienização dos vegetais)

– Coloque o lixo em sacos bem amarrados, longe do chão para evitar ratos. Na rua, os sacos precisam estar em tambores com tampas

– Não acumule lixo em terrenos e quintais, pois atraem ratos

– Não jogue lixo nas calçadas e terrenos baldios, pois podem entupir bueiros, retendo a água das chuvas

– Não jogue lixo em rios e córregos, porque ajudam na formação de enchentes

– Se tiver piscina em casa, mantenha-a coberta e não deixe de fazer o tratamento adequado da água, com uso de cloro

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