Leforte lota auditório para esclarecer sobre transplante


O XXVI Encontro de Pacientes Transplantados e Candidatos a Transplante de Pâncreas e Rim, ocorrido no último domingo (23), reuniu pacientes que passaram por transplante, candidatos a receber um órgão, parentes e amigos no Auditório do Hospital Leforte Liberdade. Durante o evento, representantes da Mamute Filmes exibiu o trailer do documentário Histórias Cruzadas, produzido pela Mamute e que conta um pouco da história médicos, pacientes transplantados e da Apat (Casa de Apoio ao Transplantado). Organizado pelo Leforte Ensino e Cultura, o encontro é realizado pela Apat e pelo grupo Hepato.

Os médicos Tércio Genzini e Marcelo Perosa, responsáveis pelas equipes de transplante de rim, fígado e pâncreas que atuam no Hospital Leforte, trouxeram dados relevantes sobre transplante e esclareceram dúvidas, entre elas como se dá a doação de órgão entre pessoas vivas, quem está apto a doar e quais são os problemas mais recorrentes no pós-operatório.

Aliás, a doação de órgãos está entre os pontos cruciais quando se fala em transplante. Ainda falta conhecimento e campanhas informativas para que as pessoas se conscientizem sobre a importância da doação de órgãos. Esse é um fator habitualmente destacado pelo dr. Tércio Genzini, porque sem doação não existe transplante.

“Quando há um doador vivo na família, ele pode aliviar o sofrimento de um paciente em diálise, pode doar um rim ou parte do fígado. Quando não existe essa pessoa, o paciente depende da doação de um desconhecido. É o momento em que a equipe de captação procura famílias que perderam entes queridos, em um momento de muita dor. Os familiares podem ou não doar os órgãos, e percebemos que as pessoas fazem isso se têm informação, se confiam no sistema, se sabem que a fila de espera vai ser respeitada, se têm segurança sobre o diagnóstico de morte encefálica. Enfim, quando há concordância em doar, essa família salva vidas.”

Assim aconteceu com Adalberto Souza de Almeida, que veio de Rio Branco, no Acre, para um tratamento no Hospital Leforte. Os sinais de que a saúde não andava bem vieram subitamente. “Fui encaminhado para o Leforte e depois dos exames constataram que meu caso era tão grave que eu teria apenas dias de vida se não fizesse transplante de fígado e rim. Consegui um doador em uma semana, passei pela cirurgia e agora, completando quatro anos do transplante, estou aqui, com uma filha de seis meses e contando minha história”, disse.

 

Gisele da Silva Oliveira também trouxe relato semelhante, em que o amigo que acompanhava foi salvo por um doador desconhecido. Durante o encontro, ela se emocionou com as experiências que foram compartilhadas e disse que o evento deixa muitas lições. “Emociona muito, porque são exemplos de vida. E ver que essas pessoas estão aí, seguindo a jornada, é muito reconfortante”, contou.

Além do destaque à necessidade de informação, Dr. Tércio Genzini falou sobre outro ponto essencial: a equipe de transplante. Embora a tecnologia tenha contribuído sobremaneira para o sucesso dessas cirurgias, o empenho dos profissionais faz toda a diferença.

“A evolução tecnológica realmente foi grande, mas todo esse aparato só tem valor com a atuação humana. Ter uma equipe envolvida, disponível a qualquer momento, que vai aos doadores para verificar se há viabilidade para transplante, que desloca-se para grandes distâncias a fim de fazer a capitação, enfim, essa dedicação toda é fundamental. Esse é o perfil do nosso grupo, formado por enfermeiros, psicólogos e médicos de diferentes especialidades. Cada vez mais o Leforte soma histórias de pacientes que chegam aqui com anos na fila do transplante, e que conseguem realizar a cirurgia depois de alguns meses”, concluiu.

 

Histórias Cruzadas

A ideia para a produção do documentário surgiu quando Marc Dourdin, da Mamute Filmes, conheceu melhor o trabalho uma amiga psicóloga que atua com pacientes transplantados. Ele começou a pesquisar mais sobre o tema e se deparou com um universo muito rico. Entre as descobertas valiosas, Marc conheceu o trabalho da Apat.

“O que a gente assiste na TV ainda é muito raso, então comecei a buscar informações. Percebi muita gente envolvida e muitas áreas interligadas em cada caso, e só assim as coisas de fato acontecem. Fiquei encantado com o tema e fui buscar personagens para poder contar uma história maior. São histórias humanas muito bonitas, tanto de médicos e pacientes como de pessoas que trabalham na captação de órgão.”

A Mamute Filmes está alinhando a divulgação de Histórias Cruzadas, e em breve será possível assistir ao documentário em canais de televisão.

 


 

 

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