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Estudo relaciona casos de trombose venosa profunda e embolia pulmonar com infecção por zika e chikungunya

21 fev 2019 Releases

Análise feita com 172 pacientes em Recife abre caminho para antecipação do tratamento, com possível diminuição do número de óbitos

Estudo realizado por especialistas brasileiros e publicado pela revista internacional Journal of Clinical and Applied Thrombosis and Hemostasis (JCATH) aponta possível ligação de infecções virais causadas por Zika e Chikungunya ao desenvolvimento de Trombose Venosa Profunda (TVP) e tromboembolismo pulmonar (TEP). Após a confirmação de 2 casos atípicos de TVP em pacientes na fase aguda da infecção por Zika vírus, foram pesquisados prospectivamente 172 pacientes do Hospital Universitário de Sergipe (HU-UFS) que apresentaram elevação significativa dos níveis de dímero-D (DD), um biomarcador que está associado aos riscos de desenvolvimento de trombose.

Entre os 31 pacientes portadores do vírus da Zika, 19,4% apresentaram aumento de DD. Nos outros 141 indivíduos com infeção por Chikungunya 63,8% tiveram aumento nesse biomarcador. Pela primeira vez, o estudo brasileiro estabeleceu uma relação entre a doença tromboembólica e as duas infecções virais.

“Casos de TVP associados a Chikungunya já haviam sido reportados no Nordeste e no Rio de Janeiro, com pacientes apresentando severos sintomas de edema e dores nas pernas. Porém, em sua maioria, se tratavam de relatos isolados e retrospectivos. Estudar os mecanismos desconhecidos por trás dessa associação nos permitirá, a partir de agora, analisar estratégias de prevenção de tromboembolismo venoso (TEV) para pacientes hospitalizados por estas infecções, contribuindo para a redução do número de óbitos”, afirma o Dr. Eduardo Ramacciotti, Coordenador do Serviço de Cirurgia Vascular e pesquisador do Cent ro de Estudos do Hospital e Maternidade Dr Christovão da Gama (CEHMCG) que integra o Grupo Leforte, em Santo André (SP) e professor de Trombose e Hemostasia na Loyola University Medical Center em Chicago, EUA .

O CEHMCG atuou em parceria com mais duas instituições brasileiras (Hospital Israelita Albert Einstein e Universidade Federal de Sergipe) e quatro norte-americanas (Hospital da Universidade de Duke, Hospital de Medicina da Universidade de Michigan, St. Vincent Mercy Medical Center e Loyola University Medical Center).

Metolodologia

Para o desenvolvimento do estudo, cada paciente com diagnóstico confirmado de Zika ou Chikungunya, teve cinco mililitros de sangue coletados e acondicionados em um tubo sem anticoagulante. Outros 10 mililitros foram colocados em um outro recipiente contendo EDTA (anticoagulante que preserva a morfologia das células hematológicas por mais tempo). O plasma congelado seguiu para análise de DD, que identificou o aumento de nível em pacientes com infecções virais causadas pelo Zika e Chikungunya.

“Níveis altos de DD indicam possível aumento da atividade fibrinolítica, que se correlacionam à formação de trombos, que se associam ao aumento de risco para TEV. Esse achado é um grande avanço quando falamos em prevenção junto à pessoas acometidas por estas duas doenças que comprovadamente já causam outros males, como a microcefalia em bebês. Novos estudos estão em andamento para confirmar esses achados.”, diz Leandro Barile Agati, Diretor do CEHMCG que também atuou na pesquisa.

Dados gerais apontam que o TEV é a maior causa de óbitos intra-hospitalares no mundo e, ao mesmo tempo, a mais evitável. Nos Estados Unidos, em 2010, foram estimados 900.000 casos anuais de tromboembolismo, com um terço deles evoluindo para óbito. No Brasil, estima-se que cerca de 180.000 casos ocorram a cada ano.

Com o início do verão, espera-se um aumento nos casos de infecções virais (ZIKA e CHIK) relacionados à proliferação de seu transmissor, o mosquito Aedes aegypti (mesmo transmissor da dengue) e o Aedes albopictus. A importância destes dados para o tratamento e prevenção do TEV nestes pacientes, colabora para o progresso cientifico em busca da melhor terapêutica para esses pacientes.

Para acessar o estudo acesse o link: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1076029618821184

Sobre o Leforte
Atualmente, o Grupo Leforte possui três unidades hospitalares que somam 620 leitos, sendo duas em São Paulo, nos bairros da Liberdade e do Morumbi, que têm certificação pela metodologia canadense Qmentum International, nível Diamante, e outra em Santo André, no ABC Paulista. Também possui unidades especializadas em Oncologia, em Higienópolis, Alphaville e Osasco, e uma voltada para Pediatria, em Santo Amaro, além de policlínicas em Alphaville e Cotia. O Grupo possui grande tradição nas áreas de Cardiologia, Neurologia, Oncologia, Traumatologia, Pediatria e transplantes de medula, fígado, pâncreas e rins. Desde 2017, o Leforte é o Hospital Oficial do GP Brasil de Fórmula 1.

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