Esclerose

Esclerose Múltipla: Uma nova visão de futuro

Por Dra. Paula Tavares, neurologista do Hospital Leforte


A esclerose múltipla é uma doença do grupo das inflamatórias autoimunes, causada por uma agressão das células do sistema imunológico ao tecido que protege os neurônios, chamado de mielina.  Ocorre por uma ativação errônea dessas células, que passam a inflamar o tecido cerebral e da medula, causando sintomas de acordo com a área afetada.

Há maior prevalência em mulheres entre 20 e 40 anos, no entanto, a Esclerose Múltipla pode ocorrer em qualquer faixa etária, mesmo que mais raramente em homens, crianças e idosos. A presença de um familiar de primeiro grau com a doença aumenta a chance de desenvolvê-la.

A doença pode se manifestar em surtos e remissão espontânea dos sintomas (parcial ou total) ou até mesmo da progressão linear de um sintoma específico, com ou sem surtos sobrepostos.

Os sintomas mais comuns são: fraqueza com limitação de movimentação em um ou mais membros, dormência na face ou no corpo, visão dupla, dificuldade para enxergar e dor em um ou ambos os olhos, vertigem de difícil controle, dor lancinante e constante na face, dificuldade para andar e falta de equilíbrio, entre outros.

Qualquer um desses sintomas, para ser considerado surto, deve durar mais do que 24 horas (além de excluídas causas mais comuns, como AVC).

A duração e a gravidade dos sintomas durante um surto podem ser diminuídas com medicações denominadas corticoides. O processo inflamatório é abrandado de forma mais rápida e a melhora pode persistir por alguns dias ainda, após terminado o tratamento.

O diagnóstico é realizado por um médico neurologista, mediante história, exame físico e alguns outros complementares, como a ressonância magnética e o líquido cefalorraquidiano (de punção lombar).

As medicações utilizadas no tratamento da doença têm o intuito de diminuir a prevalência de surtos, os insultos inflamatórios ao tecido cerebral e à medula, bem como a possibilidade de sequelas, promovendo, portanto, a melhora da qualidade de vida. São medicações que modulam ou suprimem o sistema imunológico para tal propósito. Porém, não são as únicas terapias utilizadas.

Alguns pacientes requerem medicações específicas para fadiga, sintoma muito prevalente e limitante, que prejudica em absoluto a qualidade de vida e as atividades cotidianas ou para dor, insônia e afins. Além disso, é necessário manter hábitos de vida saudáveis, como peso corporal adequado, atividade física contínua, cessação do tabagismo e alimentação regrada.

 

Acompanhamento médico da Esclerose Múltipla

O acompanhamento médico constante é imprescindível, principalmente nos primeiros anos da doença, nos quais ela está mais ativa. Sintomas que sugiram em surtos devem ser sempre considerados e, no caso de suspeita, o paciente deve se encaminhar ao atendimento médico mais rápido, seja no pronto socorro ou em consulta ambulatorial precoce.

O tratamento, o conhecimento e a face da doença vêm mudando e progredindo rapidamente nos últimos 30 anos, pois obtivemos novas drogas, terapias mais eficazes, menores taxas de sequelas irreversíveis e, principalmente, uma melhora significativa na qualidade de vida. Caminhamos de um passado de dúvidas para um presente de concretizações.  A Esclerose Múltipla faz parte do cotidiano de milhares de pessoas, mas não as dita: a convivência, as relações pessoais, o trabalho e os demais aspectos da vida devem ser encarados como em qualquer outra doença crônica, como parte da vida e não o seu todo.

Neste dia da Conscientização da Esclerose Múltipla esperamos que esta mensagem chegue a todos, portadores ou não, familiares, amigos e profissionais. Conscientize-se e informe-se. Por um futuro sem preconceito.

 


 

 

Dra. Paula Tavares

Dra. Paula Tavares do Nascimento, formada em Neurologia pelo Instituto de Assistência Médica à Saúde do Servidor Publico Estadual de São Paulo (IAMSPE), fellow em Neuroimunologia pelo IAMSPE (em andamento), preceptora da Residência de Neurologia pelo Hospital Sírio-Libanês, e responsável pelo ambulatório de doenças desmielinizantes do Hospital Leforte Unidade Liberdade.

 

 

 

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