esclerose múltipla na gravidez

Os riscos da esclerose múltipla na gravidez

Por dr. José Luciano Monteiro, neurologista do Hospital Leforte


 

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica desmielinizante do sistema nervoso central, ou seja, doença sem cura que atinge a bainha da mielina e ocasiona vários déficits neurológicos, de fraqueza muscular até perda de sensibilidade e controle da bexiga urinária. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), a média nacional de casos de esclerose múltipla é de 15 registros por 100 mil habitantes. E o país registra, em média, 35 mil casos. A doença atinge principalmente adultos com idades entre 20 e 40 anos, e 75% dos pacientes são mulheres em plena idade fértil e produtiva.

Algumas mulheres que querem engravidar e descobrem ser portadoras dessa doença geralmente questionam seus médicos sobre os riscos de, durante a gravidez, terem mais surtos; se o bebê também pode ter a doença; quais remédios podem fazer mal ao bebê; entre outras dúvidas que angustiam.

Inicialmente, pode haver certa estabilização da doença no período da gravidez, devido à mudança do padrão da imunidade para um modelo mais imunossupressor. Contudo, no período pós-gravidez, até três meses depois do parto, a mulher pode de fato apresentar maiores riscos de surtos. A esclerose múltipla não é uma doença com transmissão materno-fetal direta. O fato de a mãe ter a doença não significa que o filho também terá. Existe sim uma probabilidade maior de desenvolver a doença do que a ocorrência na população geral, mas não representa uma sentença.

Diversas medicações para o tratamento da esclerose múltipla são contraindicadas para o uso durante a gravidez. Entre elas o Avonex, Natalizumab e Fingolimod são os principais. Portanto, se você tem Esclerose Múltipla e deseja engravidar, precisa conversar bastante com seu médico para programar a gravidez, contabilizando todos os riscos possíveis em conjunto com o obstetra.

 

Alguns sintomas

• A doença chega sem causar alarde, de forma repentina, e os primeiros sinais podem ser bem diferentes, entre eles:
• Dormência ou formigamento nos braços ou pernas
• Dificuldade e fraqueza para segurar objetos, caminhar e falar
• Tremor nas mãos
• Leve incontinência urinária

 


 


Dr. José Luciano Monteiro

É Graduado em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (2009), foi residente no Serviço de Neurologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2014) e obteve aperfeiçoamento em Doenças Neuromusculares pelo Groupe Hospitalier Pitié-Salpêtrière na França (2017). É médico neurocirurgião no Hospital Leforte, diretor Clínico na Prime Neurologia e referência nas áreas de Neurologia, Teleneurologia e Telessaúde.

 

 


 

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