Doação de órgãos É preciso informar a sociedade

Doação de órgãos e transplante

Cenário nacional

Devido à luta das equipes e dos hospitais, o número de transplantes vem crescendo no Brasil. Em alguns setores, aliás, o país figura com importantes números. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) reforça que o país é um exemplo em política pública na área, embora ainda registre números de doação de órgãos abaixo do necessário.

Em 2018, das mais de 10 mil notificações de *potenciais doadores, cerca de 3.500 foram efetivadas, ou seja, apenas 35%.

(*Potencial doador é o paciente que está internado, sob cuidados intensivos, por lesão cerebral severa causada por acidente como traumatismo craniano, derrame cerebral, tumor, entre outros – lesão irreversível do encéfalo)

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), veículo oficial da ABTO, entre janeiro e setembro de 2018, as equipes especializadas abordaram familiares de 4.794 potenciais doadores. Em contrapartida, receberam 2.087 recusas, o equivalente a 44% desse total. E as razões das negativas, segundo as entidades, estariam muito ligadas a desinformação e medo.

 

Outros números

A falta de conhecimento alerta para a necessidade de desmistificar temas relacionados à transplante e doação de órgãos. Sobretudo, porque existem milhares de vidas em jogo: hoje, no Brasil, 34.058 indivíduos estão na fila de espera por um transplante; desses, 651 são crianças.

A mortalidade na fila do transplante é grande, e só com o aumento do número de doações o país conseguirá minimizar esse quadro.

Em países desenvolvidos, a meta é atingir o patamar de 30 doadores por milhão de população (pmp). Muitos chegam lá. No Brasil, na última década, saímos de dez doadores pmp para 17 pmp – 70% de aumento, porém, bem abaixo do necessário.

 

Sim, é preciso informar sobre doação de órgãos e transplantes

É fundamental ampliar os debates na sociedade, a fim de esclarecer sobre o que é um transplante e como ele se dá. Além disso, é necessário despertar na população a percepção mais importante quando falamos sobre isso: doação de órgãos salva vidas.

“O transplante é o único tratamento de saúde em que a sociedade pode atuar de forma efetiva, por isso merece destaque nos debates civis. É fundamental promover debates sobre a questão da doação, sobre como funciona o procedimento e o seu impacto na vida dos receptores”, declara o cirurgião Tércio Genzini, um dos coordenadores do Programa de Transplantes de Pâncreas, Fígado e Rim do Hospital Leforte.

“Falar sobre doação e transplante não pode ser um tabu em casa. Aliás, os pais podiam inserir o tema desde cedo nas conversas com os filhos, para que o preconceito e a desinformação acabem”, destaca o médico cirurgião Francisco Sergi, que integra a equipe do Programa de Transplantes do Leforte.

 

Emocionante: encontro de transplantados e candidatos a receber um órgãos.

 

O que precisa para ser doador?

Pela legislação brasileira, a doação de órgãos pode se dar em vida ou após a morte.

 

Em vida

Doação de órgãosPodem ser doados um rim (pois temos dois), parte do fígado (porque o órgão se regenera), eventualmente parte do pulmão e medula óssea.

As exigências são para a doação de órgãos:

  • Ser adulto, com capacidade de tomar a decisão
  • Ter a saúde preservada
  • Ser parente até quarto grau ou cônjuge do receptor
  • Doação altruísta (pessoa sem qualquer vínculo com o receptor) – neste caso, requer autorização judicial

“Para transplante de rim, evitamos doadores muito jovens. Geralmente, aceitamos a partir de 30 anos de idade. Diabete, hipertensão e problemas cardíacos também são impeditivos. Todo possível doador passa por avaliação detalhada para confirmar as condições de saúde”, afirma Marcelo Perosa.

 

Já para o fígado, o ideal é que a pessoa tenha entre 18 e 55 anos, esteja em plenas condições de saúde, sem apresentar outras comorbidades. Do mesmo modo, não pode fazer uso de medicações, álcool ou drogas. O Índice de Massa Corpórea também conta e deve ser menor que 28, porque pessoas com índice maior costumam ter gordura no fígado. Compatibilidade sanguínea é outro fator determinante.

 

Após a morte

Doação de órgãos

Veja quais órgãos podem ser doados em em que tipo de óbito.

A principal orientação, antes de tudo, é deixar a família ciente (cônjuge e parente mais próximo) do desejo de ser um doador de órgãos. “Quando a família sabe, a tomada de decisão é mais fácil”, reforça Tércio Genzini.

A legislação exige:

  • Em alguns casos, a doação de órgãos é possível apenas se houver morte cerebral. Além disso, há um rigoroso protocolo para a confirmação do diagnóstico (exames clínicos e método gráfico que confirme ausência de fluxo sanguíneo ou atividade elétrica no cérebro).
  • Doador pode ser mantido por aparelhos ainda com coração batendo por período variável de até 48 horas. Depois disso, os batimentos cardíacos inevitavelmente cessarão e os órgãos não poderão ser mais aproveitados para doação.
  • O intervalo entre a confirmação da morte encefálica e a parada cardíaca definitiva do doador é o prazo que as equipes têm para deflagrar todo o processo da doação. O tempo de cada órgão varia e por isso a agilidade é primordial.
  • Doação pareada – quando duplas incompatíveis trocam os doadores entre si.

 

Tempo de isquemia (de retirada de um órgão e transplante deste em outra pessoa)

Coração – até 4 horas

Pulmão – de 4 a 6 horas

Rim – até 48 horas

Fígado – até 12 horas

Pâncreas – até 12 horas

 

Programa de Transplantes – Grupo Leforte

Doação de órgãosO Programa de Transplantes do Grupo Leforte, feito em parceria com o Grupo Hepato, contribui de forma bastante expressiva para os índices brasileiros.

Em 2018, figurou como maior serviço do mundo de transplante de pâncreas (realizou 67 transplantes de pâncreas, sendo 39 de pâncreas isolado e 28 de pâncreas/rim). Isso equivale à metade dos transplantes do órgãos em todo o país.

Mesmo assim, a equipe de cirurgiões do Leforte fala com bastante ênfase sobre o ainda baixo número de doadores. Certamente, a falta de informação é vista como o principal obstáculo.

Precisamos lutar, primordialmente, contra esse desconhecimento, mostrar a segurança de todo processo, que há um rigoroso protocolo do Conselho Federal de Medicina para a confirmação de morte cerebral e que todos o seguem à risca. Temos milhares de pessoas na fila do transplante, 22 mil só para rins, órgão de maior demanda”, enfatiza Marcelo Perosa, também coordenador do Programa de Transplantes do Grupo Leforte.

 

Conheça mais sobre a equipe de transplantes do Grupo Leforte. Acesse aqui.

Transplantes: desempenho de 2018. Veja aqui.

Assista a um bate papo muito esclarecedor sobre doação e transplante de órgãos.

 

Taxa de sucesso do transplante

Doação de órgãosO procedimento é consolidado como melhor tratamento para diversos tipos de doenças crônicas.

De fígado, aliás, é a única solução para patologias crônicas ou graves. Neste caso, a taxa de sucesso costuma ser de 85%. “Claro, existem chances de morte em casos muito graves. Poucas vezes fazemos um retransplante. E se fígado parar de funcionar, o paciente morre”, salienta Tércio Genzini.

Rins e pâncreas, caso parem, o paciente pode continuar vivo. Ambos também apresentam índices de sucesso maiores.

  • Pâncreas – receptor tem acima de 90% de chance de sobreviver.
  • Rim/pâncreas funcionando – acima de 80% de chance de sucesso.

Importante: pacientes estão livres de diálise e de diabetes.

 

Diabetes

Doação de órgãosAs pessoas desconhecem a alternativa de transplante de pâncreas para pacientes com diabetes tipo 1. A doença surge na infância ou adolescência, quando começam as complicações secundárias nos rins, nervos e visão. Isso ocorre após 15 ou 20 anos da descoberta do diabetes.

Neste caso, a indicação de transplante dependerá da gravidade das complicações do diabetes. Quando bem indicado e realizado, representa o melhor tratamento. Elimina a necessidade de insulina e restabelece dieta livre e sem restrições.

No total, em 2018 a equipe do Hospital Leforte realizou 219 procedimentos, incluindo, além dos transplantes de pâncreas, 39 de fígado e 113 de rim (intervivos de rim e parte do fígado).

 

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