Dia da Prevenção à Obesidade chama a atenção para uma doença que cresce no mundo

Dia da Prevenção à Obesidade chama a atenção para uma doença que cresce no mundo

O Dia Nacional de Prevenção à Obesidade traz um momento de reflexão sobre a doença que é crônica e segue em escala crescente no mundo todo, inclusive no Brasil. Curiosamente, chamar obesidade de doença é algo recente no cotidiano das pessoas. Daí surge a importância da informação e prevenção.

“Quando falamos em obesidade, é sobre uma epidemia que, por definição, é o excesso de gordura corporal que traz elevação do risco de doenças e mortalidade”, explica o endocrinologista Paulo Rizzo Genestreti, do Hospital Leforte.

Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018), divulgada em julho pelo Ministério da Saúde apontou que a taxa de obesidade no país passou de 11,8% para 19,8% entre 2006 e 2018 – um aumento de 67%.

No levantamento, foram ouvidas, por telefone, 52.395 pessoas maiores de 18 anos, entre fevereiro e dezembro de 2018. A amostragem abrange as 26 capitais do país, o Distrito Federal.

São pessoas que podem ter a saúde afetada por inúmeros problemas, como hipertensão, refluxo, apneia do sono, diabetes mellitus, alterações do colesterol e triglicérides, problemas articulares, entre outros.

Mas por que, então, não se dá maior importância a esse mal?

“Há várias causas. Em primeiro lugar, as pessoas não encaram a obesidade como uma doença. Isso inclui o portador de obesidade e o provedor de saúde, seja ele médico, enfermeiro, nutricionista, que não encaram a obesidade com a devida importância de uma doença crônica”, explica Rizzo.

A obesidade não é apenas consequência de se comer demais. O cérebro do obeso não tem freio para parar de comer quando precisar parar.

Além disso, aliado à alimentação de má qualidade, com excesso de alimentos processados e fastfood, há o problema do sedentarismo. O corpo não alcança taxa metabólica suficiente que equilibre perda e ganho de calorias. Então, ele estará ganhando peso ao invés de perdê-lo.

 

Opções de tratamento disponíveis no hospital Leforte

A boa notícia é que, ao lado do aumento crescente da obesidade, as conquistas na área médica para tratar essa doença não param. O Hospital Leforte oferece uma gama completa de recursos terapêuticos que atendem a todos os perfis de paciente.

Segundo o endocrinologista Paulo Rizzo, entre as opções disponíveis, há tratamentos clínicos a partir de medicamentos orais ou injetáveis, com ótimos resultados, além de procedimentos endoscópicos menos invasivos e intervenções de alta tecnologia como a cirurgia robótica.

Pacientes com índice de massa corpórea (IMC) acima de 35 são os mais indicados para a realização da cirurgia bariátrica, principalmente quando há associação outras doenças como hipertensão, diabetes e gordura no fígado, explica o cirurgião Tiago Szego, especialista em bariátrica do Hospital Leforte.

“Estudos recentes sobre obesidade mórbida mostram a eficiência da cirurgia a médio e longo prazos. A intervenção promove inclusive alterações metabólicas”, ponderou Tiago Szego.

Ele pontua que a cirurgia metabólica é, na prática, a mesma cirurgia bariátrica. O que muda é o perfil do paciente, que apresenta IMC mais baixo, entre 30 e 35. Embora o procedimento ainda esteja em avaliação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a técnica já se mostrou efetiva, com a redução de hormônios no corpo – como algumas creatininas, hormônios pancreáticos e no próprio estômago. São mudanças metabólicas importantes.

“Melhora a pressão alta, diabetes e controla o colesterol. Nada disso representa cura, mas sim um controle que promove a melhora das doenças crônicas” sentenciou Szego.

Ainda na linha de tratamento cirúrgico, destacam-se as cirurgias robóticas. Utilizam-se robôs de última geração para auxiliar o cirurgião, que comanda o procedimento de um console. O robô é guiado por meio de um joystick, semelhante aos de vídeo games.

Esse tipo de procedimento foi realizado primeiramente em cirurgias urológicas, principalmente a de retirada da próstata. Com o tempo foram ampliando suas indicações. No Brasil, a robótica vem se firmando na última década”, assinala o cirurgião Giuliano Noccioli Mendes.

Responsável por cirurgias robóticas no Hospital Leforte, inclusive as bariátricas, Noccioli aponta como uma das principais vantagens da técnica a segurança e a extrema precisão.

A evolução natural da cirurgia robótica implica no uso mais intensivo da telemedicina e da inteligência artificial, que promete recursos de grande auxílio na cirurgia. “Fazendo uma analogia com os carros autônomos, o carro freia sozinho antes da batida.O robô identifica um vaso, por exemplo, que não pode operar e para sozinho. Ele aumenta cada vez mais a segurança da cirurgia, evitando qualquer tipo de intercorrência”, explica Noccioli.

 

Técnicas endoscópicas: menos invasivas

Nem todo obeso, entretanto, necessita de uma intervenção cirúrgica. Nos últimos anos, os procedimentos endoscópicos evoluíram muito e têm ajudado pessoas que não conseguem equilibrar o peso por meio de dieta e atividade física, mas que também não se enquadram no grupo dos que precisam de uma cirurgia de grande porte.

Para o controle do peso, existem tratamentos tradicionais, feitos à base de dieta e atividade física. Esses são os menos agressivos. No outro extremo, temos a cirurgia para pacientes com IMC bem elevado. Geralmente acima de 40 e com outra doença associada. Entre esses dois extremos estão cós casos indicados para procedimentos endoscópicos”, pontua a coordenadora médica de Endoscopia do Hospital Leforte, Adriana Costa Genzini.

Adriana frisa que há três principais procedimentos endoscópicos mais utilizados atualmente para o tratamento da obesidade. O balão gástrico, por exemplo, é indicado para quem já tentou várias formas de dieta e atividade física, mas que não consegue manter o peso, e nem recebe indicação de cirurgia bariátrica.

“Às vezes, o balão é mais fisiológico que qualquer remédio, porque ele faz exatamente o que o corpo faz. O estômago fica cheio e envia um aviso para o cérebro dizendo ‘estou saciado’. Aí o paciente não sente tanta fome”, explica a especialista. Segundo ela, esse procedimento é mais indicado para pacientes com IMC entre 27 e 35.

A endosutura gástrica é também procedimento endoscópico, ambulatorial e pouco invasivo, e propicia reduzir o estômago em até 70%, de forma definitiva. O cirurgião utiliza o aparelho de endoscopia acoplado a um kit, que permite ir “juntando” os lados do estômago, como uma espécie de costura.

A técnica pode ser utilizada também nos casos de reganho de peso, comum com o passar do tempo em pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica. “Os pacientes têm respondido muito bem. Nos primeiros doze meses, a endosutura gástrica pode ocasionar cerca de 20% de perda do peso total, e isso se mantém por longa data”, ressalta Adriana.

Outro benefício é que o balão gástrico possui vida útil relativamente curta, geralmente entre seis e 12 meses, tendo de ser retirado depois. Nesse meio tempo, a expectativa é de que o paciente tenha readaptado seu modo de vida para preservar o novo peso, embora isso nem sempre ocorra.

Há ainda a cauterização por bisturi, realizada na anastomose, formada em uma cirurgia bariátrica antiga. Com o passar do tempo, o estômago volta a dilatar e a pessoa ganha peso novamente. “É possível diminuir de novo o tamanho dessa boca anastomótica para fazer o paciente comer menos”, explica.

 

Tratamentos

Os tratamentos para impedir o reganho de peso estão entre os mais novos na literatura médica, assinala a especialista. Ela participou de estudos sobre o tema em universidades de referência mundial, como a Jonh’s Hopkins, em Baltimore, e a Universidade Cornell, em Nova York, ambas nos Estados Unidos.

“Um estudo da Cornell, do ano passado, mostra o acompanhamento de cinco anos dos pacientes. Eles têm uma gama de pacientes operados que se mantiveram o peso durante cinco anos de acompanhamento. São resultados excelentes”, ressalta Adriana.

Todos os procedimentos mencionados estão disponíveis nas unidades Liberdade, Morumbi e Alphaville, do Grupo Leforte. O que demonstra, na prática, que há inúmeras possibilidades de tratamento da epidemia da obesidade.

Dia da Prevenção à Obesidade chama a atenção para uma doença que cresce no mundo

Search

+