Como funciona e porque ocorrem os lapsos de memória

Como funciona e porque ocorrem os lapsos de memória

Não lembrar onde guardou a carteira, a chave do carro, a receita médica, os óculos… Quem nunca? Esquecer faz parte da nossa rotina – mais de alguns que outros, é verdade.

Embora ninguém comemore não lembrar-se de coisas a princípio irrelevantes, como o que jantou ontem, é importante que a memória não armazene todas as nossas vivências. Afinal, todo dia passamos por novas experiências e nossa memória não é um dispositivo de 1 yottabyte.

Entretanto, alguns casos chamam a atenção pela frequência e pela forma como acontecem esses esquecimentos. Essas situações saem da esfera aceitável e se tornam mais preocupantes, exigindo avaliação de médicos especialistas.

 

O que é mesmo que eu ia dizer?

Você ia falar algo importante, mas alguém atravessou a conversa com outro assunto e você esqueceu o que era. Tudo bem, nada de errado com isso. Logo o fato vem à memória e você conta. Mas se esse e outros tipos de lapso forem frequentes e sem elementos que provoquem a distração, é hora de ver se algo está errado. E esse algo pode estar relacionado a vários fatores: do estado emocional e nível de estresse a problemas realmente mais graves, como doenças neurológicas.

Por exemplo, pessoas mais jovens que convivem com trabalhos exaustivos ou expedientes muito longos e estressantes podem se pegar em episódios de esquecimento. Ao relatar a situação a profissionais especializados, serão orientadas e estimuladas a trazer qualidade de vida para suas rotinas, voltando a dormir melhor, estressarem-se menos, tratar possíveis angústias ou depressões e, com o tempo, melhora esse desgaste da memória.

Porém, o cenário muda quando se trata de uma doença neurológica, como o Alzheimer.

“Reforçando, é importante entender que problemas mais graves não ocorrem com mais frequência em jovens. Na verdade, o que acontece é que os lapsos não dependem única e exclusivamente do hipocampo, que é a região onde a memória está localizada no cérebro. Depende sim de várias nuances que interagem diretamente com a memória, como a atenção e o estado emocional, por exemplo. Tudo isso pode contribuir para essas falhas, não necessariamente uma doença do hipocampo, como é o caso do Alzheimer”, explica o coordenador do Centro de Neurologia do Hospital Leforte, José Luciano Monteiro Cunha.

 

O Alzheimer

Demência mais comum na população mundial, o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que atinge geralmente homens e mulheres com mais de 60 anos. Em pessoas jovens, embora ocorra, ela é bastante rara.

O Alzheimer se apresenta como demência ou perda de funções cognitivas, como a memória, o senso de orientação, a atenção e a linguagem. O que causa a doença é a morte de células cerebrais.

Como é incurável, os tratamentos e acompanhamento médico conseguem retardar os avanços do Alzheimer, isso se for diagnosticado no início. Com isso, é possível controlar mais os sintomas, oferecendo mais qualidade de vida ao paciente e família.

A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

A Medicina ainda não conhece exatamente o que causa o Alzheimer, porém identifica algumas lesões cerebrais características da doença. O comprometimento neuronal não ocorre de forma homogênea e as células nervosas (neurônios), responsáveis pela memória e pelas funções executivas que envolvem planejamento e execução de funções complexas, geralmente são as mais atingidas.

“Com o envelhecimento da população, a projeção é de crescimento da prevalência da doença pelo menos em duas vezes. Por isso é muito importante tomar os cuidados preventivos, como atenção à pressão arterial, ao diabetes mellitus, à dislipidemia”, enfatiza o neurologista José Luciano.

No mundo, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), estima-se que existam cerca de 35,6 milhões de pessoas com a doença. No Brasil, cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

Lei mais sobre Doença de Alzheimer.

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