Colesterol: amigo ou inimigo? Por Marisa Diniz

Por Denise Diniz, nutricionista


Amigo e inimigo. Em níveis normais, ele é uma substância essencial para o funcionamento de nosso organismo, mas quando atinge níveis elevados, torna-se ameaça silenciosa, elevando o risco de desenvolvimento de Doença Arterial Coronariana (DAC).

 

Mas qual a importância do colesterol para a saúde?

O colesterol é um tipo de gordura que faz parte da estrutura celular do cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração, portanto, essencial para o funcionamento destas células. Também faz parte da formação de hormônios de vitamina D e ácidos biliares, essenciais na digestão das gorduras da alimentação.

O aumento do colesterol pode ocorrer por fatores genéticos e alimentares. É bom reforçar que 70% do colesterol no sangue são provenientes do fígado e apenas 30% são decorrentes da alimentação. Os níveis de colesterol no sangue dependem, principalmente, da capacidade do fígado em removê-lo, pois após passar pela circulação sanguínea, o colesterol precisa ser removido novamente pelo fígado para formar bile, e o desempenho correto dessa função depende de cada organismo. Geralmente, pessoas que praticam atividade física regularmente e preservam hábitos alimentares saudáveis desempenham melhor esta função.

 

Pessoas magras podem ter níveis elevados de colesterol?

Como seus níveis no sangue dependem muito mais da taxa de remoção pelo fígado – que é genética – o excesso de peso não está diretamente ligado ao colesterol alto. Pessoas magras também podem ter níveis elevados.

É importante o acompanhamento de níveis sanguíneos pelo menos uma vez por ano. A primeira tentativa no controle dos níveis de colesterol sanguíneo está relacionada a mudanças de hábitos de vida, dieta e prática de atividades físicas. Caso estas medidas não produzirem efeitos, os médicos podem prescrever medicamentos (estatinas).

Algumas pessoas apresentam predisposição para ter altos níveis de colesterol, problema que pode ser herança genética, sendo chamada de hipercolesterolemia familiar (HF) – HIPER (= ALTO) + COLESTEROL (= GORDURA) + EMIA (= NO SANGUE).

Esse é o colesterol alto de origem genética, com alteração no processo de absorção do mesmo no sangue. Trata-se de um tipo de falha que faz com que o organismo produza mais colesterol, pois entende-se que não há o suficiente para o corpo, resultando em aumento dos níveis.

Pessoas com HF geralmente têm colesterol total aumentado desde a infância, por isso é importante o rastreamento para detectar alterações precoces, e a adoção desde cedo de hábitos alimentares. Esses cuidados podem ajudar a reduzir o impacto da HF no futuro.

Uma pessoa com HF tem 50% de probabilidade de transmitir o “defeito” aos seus descendentes, e metade dos filhos de um indivíduo com a doença tem a probabilidade de ter hipercolesterolemia familiar.

Concluiu-se ainda que o alto consumo de ácidos graxos trans (gordura vegetal hidrogenada), utilizada industrialmente na produção de biscoitos, bolachas recheadas, empanados, sorvetes cremosos, tortas e alimentos comercializados em restaurantes fast-food está diretamente correlacionado ao aumento de doença arterial coronariana, por isso é tão relevante controlar a ingestão destes alimentos. Quanto menos consumo, melhor.

Em contrapartida, os fatores de risco hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemia (presença em níveis elevados de gordura no sangue) são menos frequentes em pessoas que têm na dieta hábito de ingerir fibras solúveis: cereais (aveia, cevada, milho), frutas (banana, maçã, abacate), leguminosas (feijões, ervilhas), legumes (couve-flor, abobrinha, cenoura), sementes oleaginosas (linhaça, chia, coco, amêndoas, castanhas, nozes).
O consumo de aproximadamente 3 g/dia (2 colheres de sopa) de aveia está associado à diminuição de 5 mg/dL na concentração de colesterol total, com redução na incidência de doença cardiovascular perto de 4%.

O paradoxo do ovo

O ovo é um alimento com baixo custo e excelente fonte de nutrientes, lembrando que gorduras, minerais e vitaminas estão presentes quase que totalmente na gema, sendo a clara constituída especialmente pelas proteínas. Um ovo contém de 50 a 250 mg de colesterol, dependendo do tamanho. O impacto do consumo de ovos sobre a hipercolesterolemia depende da capacidade do organismo em absorver colesterol.

Acredita-se que entre 75% e 85% da população sejam pouco sensíveis às concentrações de colesterol na dieta, ou seja, o impacto do consumo de alimentos ricos em colesterol, como os ovos, é muito pequeno e não acrescenta risco de doença cardiovascular.

 

Fontes:

Electronic Document Format(ABNT)
PEREIRA, AC et al . I Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (HF). Arq. Bras. Cardiol., São Paulo , v. 99, n. 2, supl. 2, p. 1-28, Aug. 2012 . Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2012001700001&lng=en&nrm=iso
http://dx.doi.org/10.5935/abc.20120202.
http://dx.doi.org/10.5935/abc.20120202.

 

 

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