Inovação e pesquisa do câncer

Inovação e pesquisa do câncer: o que vem por aí

Por Rodrigo Santucci, médico especialista do Leforte Oncologia


Das especialidades da Medicina, a Oncologia é uma das que mais crescem em termos de pesquisa. As pessoas estão vivendo mais, e por essa razão estão também mais suscetíveis a desenvolver um câncer. Para entender melhor a relação entre longevidade e câncer, basta pensar que, ao longo da vida, uma pessoa está exposta a fatores de risco que podem elevar as chances de desenvolver um câncer, como radiação, contato com químicos, tabagismo, entre outros. Ao passo em que esse indivíduo vive mais, estará exposto por mais tempo a esses agentes.

Estudos de instituições do mundo inteiro mostram que a incidência do câncer cresceu, assim como sua prevalência na população. Com isso, as pesquisas na área ganham força, e os tratamentos da doença oferecem cada vez mais aliados, proporcionando níveis de sucesso muito maiores que anos atrás. Hoje, um diagnóstico precoce de câncer representa uma expectativa de cura muito alta.

 

Números estimados pelo INCA – Instituto nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva

 

Por muito tempo, o pilar para o tratamento do câncer foi mantido estático: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Com os avanços na Medicina, novas alternativas se mostraram eficientes, como os anticorpos monoclonais, que se ligam apenas ao antígeno doente (surgiram no início dos anos 2000), e as drogas inteligentes, que atuam no cromossomo. Agora, estamos vivendo uma nova era no tratamento do câncer, que são os inibidores de check point. Esses inibidores não atuam diretamente no câncer, mas têm a finalidade de fortalecer o sistema imunológico, deixando-o resistente durante todo o período de tratamento. E isso é extremamente importante porque, em muitos casos, a doença vem da própria imunossupressão da pessoa. Por exemplo, alguns pacientes que passam por transplante, no pós-operatório desenvolvem um linfoma (câncer de sangue).

Considero, como próximo passo no tratamento de câncer, as terapias com células-tronco, que possibilitarão isolar o linfócito do paciente e modificar o DNA, para que este reconheça um determinado antígeno – técnica chamada de CAR-T (Chimeric Antigen Receptors). A modificação da célula do sistema imunológico com anticorpo monoclonal específico é feita com um vírus. Ao reinjetar essa célula na pessoa, somente o tumor será atacado.

 

O avanço das pesquisas com células-tronco permite novas possibilidades de terapias para o tratamento do câncer.

 

Nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA) já liberou o uso da técnica terapêutica para duas aplicações – Leucemia Linfoide Aguda e Linfoma não-Hodgkin. Há casos de pacientes que recorreram ao CAR-T e que tiveram grande sucesso, como o de uma garota, que chegou a ser capa da revista Veja no ano passado. Aqui no Brasil, a terapêutica deverá estar disponível daqui dois ou três anos. Como efeitos colaterais, além do custo elevadíssimo do tratamento, podemos ter a síndrome de liberação de citocinas, um evento grave. Por isso a recomendação é realizar o tratamento em um centro especializado, como as unidades de transplante de medula óssea.

 

A experiência de grandes centros para ampliar a expertise do Leforte Oncologia

A nossa estrutura no Leforte Oncologia é completa, razão pela qual proporciona um centro receptivo ao paciente dos mais bem equipados do País. Já oferecemos PET-Scan oncológico há muito tempo; temos duas máquinas de radioterapia, entre elas o Elekta Infinity, uma das mais modernas no mercado; a cirurgia oncológica do Leforte é de ponta, com alguns dos melhores médicos especialistas do Brasil; nosso corpo clínico conta com oncologistas de renome – apenas na minha equipe, são 40 médicos especializados no tratamento do câncer, além de outras equipes que atuam no hospital.

A Oncopediatria também se fortalece no Leforte. De modo geral, o mercado brasileiro carece de mais oncopediatras experientes, e aqui, além de profissionais reconhecidos, temos um centro para diagnóstico e tratamento muito completo. Quase metade dos pacientes internados na Pediatria do Leforte tem câncer. Esses números podem levar a imaginar que é grande a incidência do câncer infantil, mas não é. Na verdade, temos essa bandeira aqui, com equipe multidisciplinar altamente qualificada, por isso nos tornamos referência.
E estamos constantemente em busca de aprimoramento, trazendo melhorias, implementado novas técnicas terapêuticas, atualizando nossos protocolos, compartilhando experiências dentro e fora do país. Por essa razão, passei mais de um mês em um dos principais centros de câncer do mundo, o MD Anderson Cancer Center, localizado em Houston, Texas (EUA).

Lá, eles disponibilizam mais de mil leitos para internação, diversos centros para quimioterapia, cerca de dez máquinas de radio, ou seja, uma estrutura gigante, com um aporte de muitas publicações científicas anualmente. Já tinha passado um tempo nos Estados Unidos depois que me formei, em um treinamento de transplante de medula óssea. Essas experiências são sempre muito positivas. Dessa última vez, pude entender e ver mais de perto como eles estão caminhando com o CAR-T para a cura do câncer. Assim, quando chegar ao Brasil, saberemos a melhor maneira de aplicá-lo.
 


 


Dr. Rodrigo Santucci

Responsável pela Oncologia Clínica do Leforte Oncologia, Dr. Rodrigo Santucci possui graduação em Medicina, pela Universidade de Santo Amaro (2000), residência médica, pela Faculdade de Medicina do Abc (2005), onde atua como médico assistente do Departamento de Onco-Hematologia, e MBA em Gestão em Saúde, pela FGV. Tem prática em pesquisa Clínica, Educação Médica, Transplante de Medula Óssea, Oncologia e Hematologia. Há nove anos é diretor médico na Hemomed e passou por grandes centros, como o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o Moffit Cancer Center e o MD Anderson Cancer Center, nos EUA.

 

 


 

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