Câncer de próstata: a cura está na detecção precoce

Artigo por Dr. Ricardo Antunes


Com mais de 62 mil casos novos estimados para 2018, o câncer de próstata continua como o tumor mais frequente em homens, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Ministério da Saúde. Os números correspondem a cerca de 30% de todos os tumores diagnosticados em homens. Ocupa ainda o segundo lugar em mortalidade, perdendo apenas para o câncer do pulmão (um grande desafio em Saúde Pública no Brasil).

As causas do câncer da próstata permanecem desconhecidas, e os fatores de risco não são passíveis de mudanças:

  • idade (marcador de risco mais importante, à medida que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam exponencialmente após os 50 anos de idade)
  • história familiar (pai e irmão com antecedente de câncer antes dos 60 anos, risco de 3 a 10 vezes maior)
  • etnia

Isso ninguém pode mudar, o que reforça a importância da detecção precoce e do tratamento adequado como únicas opções de cura.

Alimentação, excesso de álcool e tabagismo são outros fatores de risco estudados e, embora as inúmeras publicações, os estudos epidemiológicos ainda são inconsistentes. Há também evidências científicas em relação à ingestão excessiva de carne vermelha e gorduras para o aumento do risco de câncer de próstata. Por outro lado, o consumo de frutas, vegetais ricos em caroteno (tomate e cenoura) e leguminosas (feijões, ervilha e soja) possuem um efeito protetor.

As justificativas que norteiam a detecção precoce do câncer de próstata, assim como em qualquer outro local, é que quanto antes a doença for diagnosticada, maiores são as chances de cura. Além disso, descobrir um câncer ainda no início permite tratamento menos agressivo.

A detecção precoce do câncer de próstata poderia reduzir os altos custos decorrentes do tratamento do tumor em estágios avançados ou da doença já na fase metastática (disseminada). Porém, um dos principais desafios para isso é a falta de conhecimento sobre sua história natural. Até o momento, não há evidências suficientes que permitam prever quais desses tumores pequenos evoluirão para câncer invasivo, de maior agressividade, permitindo determinar o seu prognóstico (aguardamos a efetividade de novos testes genéticos para a estratificação de risco).

 

Toque retal

É o teste mais habitual, apesar de suas limitações, uma vez que somente as porções posterior e lateral da próstata podem ser palpadas, deixando cerca de 40% a 50% dos tumores fora do seu alcance (sensibilidade em torno de 60%). Contudo, quando feito em associação com o exame de PSA no sangue (enzima produzida pelas células da próstata), a sensibilidade pode chegar a 95%.

Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) e do American Cancer Society, o toque retal e o exame de PSA devem ser feitos anualmente por todo homem com 50 anos de idade ou mais e, a partir dos 45 anos, quando há histórico familiar (grupo de risco).

Hoje, estamos nos umbrais da cirurgia, da radioterapia e da farmacologia altamente desenvolvidas e voltadas ao conforto e segurança do homem, afastando os dois grandes fantasmas que o aterrorizam (disfunção erétil e incontinência urinária), favorecendo ainda o interesse no rastreamento e diagnóstico precoce do câncer da próstata.

O diagnóstico tardio, com toda sua consequência física, emocional, familiar, social e econômica, persiste como um desafio. O grande número de casos, infelizmente, ainda chega ao consultório em estágios avançados da doença.

A PREVENÇÃO É O MELHOR CAMINHO.

 

 


 

Dr. Ricardo Antunes

Dr. Ricardo Antunes, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e coordenador da Cirurgia Oncológica do Grupo Leforte.

 

 

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