Bronquiolite Cuidados redobrados e prevenção

Bronquiolite: redobre os cuidados

Por Dra. Fátima A. Neto Zirn, pneumo-pediatra

A temperatura mais fria sempre faz aumentar o número de atendimentos hospitalares por problemas respiratórios. Os lactentes e pré-escolares são os mais vulneráveis, porque possuem sistema imunológico ainda imaturo. Aliás, isso é pertinente à própria idade.

A bronquiolite é a patologia que mais acomete os lactentes, além disso é a causa mais frequente de internação em crianças com menos de um ano de vida. Mas afinal, o que é a bronquiolite? O que posso fazer para proteger meu filho?

A bronquiolite é o primeiro episódio de uma doença aguda do trato respiratório causada por vírus . Esse problema viral é causado pela obstrução inflamatória das vias aéreas mais finas (bronquíolos) de crianças com menos de 2 anos de idade. Sua ocorrência está muito ligada ao clima, por isso é mais epidêmica nos meses de outono e inverno.

Em nosso meio, o vírus causador mais frequentemente é o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), embora existam outros tanto, como o Adenovírus, o Influenzae A e B, o Rinovírus, o Metapneumovírus, entre outros.

 

Leia também: diferença entre gripe e resfriado.

 

Contaminação

Normalmente, as crianças se contaminam através do contato com um familiar ou um coleguinha do berçário/escola que tem infecção nas vias aéreas superiores.

Os fatores de risco para sua ocorrência são prematuridade, baixo peso e baixa idade materna ao nascer, falta de aleitamento materno, tabagismo dos adultos com quem a criança convive, além de permanência em creches, berçários ou aglomerados.

 

Sintomas da bronquiolite

No início parece um resfriado comum com coriza e febre por 2 a 4 dias, seguido de tosse, cansaço e chiado no peito. Pode ocorrer irritabilidade, sonolência, inapetência, vômitos e apneia. O período mais crítico está entre 48 a 72 horas do surgimento do cansaço, aproximadamente o quinto dia de evolução da doença. Por muitas vezes, acaba sendo necessária a internação hospitalar.

Os prematuros extremos (menos de 29 semanas de idade gestacional), menores de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou cardiopatas são mais vulneráveis a casos graves de bronquiolite. Dessa forma, há indicação de imunização passiva com anticorpo monoclonal anti-VSR (palivizumabe). Trata-se de um tipo de imunoglobulina que é anticorpo pronto a neutralizar o vírus sincicial respiratório circulante na corrente sanguínea e para sua proliferação, para prevenir a infecção pelo vírus.

 

Calendário de vacinação: saiba quais são as doses e idades.

 

Bronquiolite: ainda não há uma vacina eficaz

O diagnóstico da bronquiolite é por meio da história clínica e do exame físico do paciente. A pesquisa do vírus respiratório pode ser realizada pela análise clínica das secreções, porém nem sempre é positiva. Além disso, é um exame com custo elevado.

Quando não há gravidade e se o paciente não apresenta fatores de risco com sintomáticos, o tratamento pode ser realizado em casa. Caso contrário, está indicada a internação hospitalar para hidratação e oxigenioterapia.

A bronquiolite pode evoluir para situações graves e deixar sequelas, portanto é importante fazer a prevenção.

  • Evitar o contato direto com pessoas gripadas, principalmente crianças do grupo de risco
  • Evitar locais de aglomeração
  • Ter hábitos de higiene como lavagem de mãos com frequência e utilização de álcool gel
  • Estimular práticas de aleitamento materno como evento protetor da imunidade
  • Seguir as orientações de vacinação a partir do sexto mês de idade

Como a bronquiolite é uma doença sem tratamento específico, o mais importante é tentar diminuir sua incidência.

 


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Dra. Fátima A. Neto Zirn é pneumo-pediatra do Kids Leforte – Grupo Leforte.

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