Vacina sarampo

Aumento de casos de sarampo alerta para importância da vacinação

Em meio ao constante aumento no número de casos confirmados de sarampo no estado de São Paulo, devemos estar atentos aos seus sinais, sintomas e também à sua prevenção.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, Prof. Alexandre Vranjac, nos primeiros três meses de 2019, o número global de casos de sarampo aumentou em 300% comparado ao mesmo período de 2018. Em 2019, até 23 de maio, o estado registrou 36 casos confirmados de sarampo, sendo onze deles com referência de internação e quatro em profissionais de saúde.

O sarampo é uma doença viral aguda extremamente contagiosa e causada pelo paramyxovirus, cujo período de incubação é, em média, de 8 a 10 dias.

A via de transmissão é pelo contato direto com a secreção ocular ou das vias respiratórias do doente, ou mesmo por gotículas de plugge disseminadas pela tosse, espirro ou fala, mecanismo esse responsável pela proliferação da doença em ambientes fechados como escolas, ônibus, instituições, entre outros.

O período de transmissão se inicia desde o período prodrômico (quando surgem os primeiros sintomas) até o aparecimento de exantema (erupções avermelhadas na pele).

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O período prodrômico dura aproximadamente cinco dias com coriza, tosse, espirros, febre, conjuntivite com lacrimejamento e fotofobia. Esses sintomas são inespecíficos e se confundem com a maioria dos quadros virais, principalmente na infância.

Após esse período, surgem as manchas chamadas de koplik, que são características da doença  (pequenos pontos brancos que aparecem na mucosa bucal), e na sequência surge o  exantema.

O sarampo compromete a imunidade da pessoa afetada, podendo levar a uma coinfecção bacteriana ou viral grave. Como complicações podem ocorrer: otite média aguda bacteriana, pneumonia viral ou bacteriana, broncopneumonia, encefalite aguda, panencefalite esclerosante subaguda, laringotraqueites agudas e diarreia.

 

O diagnóstico do sarampo é basicamente clínico, por meio de história e exame físico.  Alterações no hemograma como leucopenia, que é a queda dos glóbulos brancos que atuam na defesa do organismo, por vezes está presente. Pode haver o isolamento do vírus na urina, sangue ou secreções no período febril, detectados no exame PCR. A sorologia IMG positivo é o exame complementar de diagnóstico da doença. Além disso, deve ser realizado um diagnóstico para diferenciar de doenças exantemáticas como rubéola, escarlatina, dengue e enteroviroses.

 

Tratamento

Infelizmente, não existe um tratamento específico para o sarampo. A orientação é repouso e uso de medicações como analgésicos, antitérmicos, vitamina A e hidratação, que ajudam a minimizar as complicações. Deve-se manter o paciente em isolamento até cinco dias após o exantema, período em que a doença é altamente transmissível.

*O sarampo é uma doença de notificação obrigatória. O caso suspeito deve ser notificado em até 24 horas pelo http://www.saude.sp.gov.br/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica-prof.-alexandrevranjac/homepage/acesso-rapido/notificacao-on-line ou pelo 0800-555466.

 

Prevenção

O melhor método de evitar a disseminação do sarampo e suas complicações é com vacinação.

A tríplice viral previne contra sarampo, caxumba e rubéola, e a tetra viral previne ainda a varicela. A proteção contra a doença ocorre após duas semanas da vacinação.

– Aos 12 meses de idade: deve tomar a tríplice viral, com reforço aos 15 meses com a tetra viral até os 5 anos de idade completo.

– Dos 5 anos aos 9 anos de idade: se não previamente vacinados ou sem comprovação, devem realizar 2 doses com intervalo de 30 dias com a tríplice viral.

– Maiores de 10 anos até 29 anos de idade: sem comprovação de vacinação, devem tomar uma dose e após 30 dias, a segunda dose de reforço com a tríplice viral.

– Maiores de 30 anos até os 59 anos de idade: deve tomar 1 dose da vacina tríplice viral se não houver comprovação de aplicação prévia.

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Os grupos de risco para o sarampo são profissionais da saúde, da educação, pessoas institucionalizadas, estudantes, viajantes, trabalhadores da área de turismo, puérperas e idosos.

A vacina não deve ser realizada em imunossuprimidos, menores de 6 meses de idade e em gestantes – o sarampo é causador de inúmeras malformações no feto, portanto toda mulher em idade fértil  deve ser alertada a realizar  a vacinação adequadamente e não engravidar em até 1 mês pós vacina.

A vacinação de bloqueio é realizada em locais de surtos para evitar a ocorrência de novos casos na comunidade

 

Referências

Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Manual dos Centros de Referência para Imunobiólogicos Especiais/ Ministério da Saúde. Fiocruz. Agencia EBC.

 

Dra Fatima

Dra. Fátima Aparecida Neto Zirn

pneumopediatra do Kids Leforte – Grupo Leforte

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