Cancer de testículo

Abril Lilás chama atenção para o câncer de testículo

Embora seja um tipo de neoplasia com incidência relativamente baixa, o câncer de testículo pode se agravar e evoluir para metástase caso não seja tratado na fase inicial. Por isso, como nos demais tumores malignos, a principal medida preventiva é o diagnóstico precoce.

Em entrevista, o urologista Alexandre Sato, que integra a equipe de Urologia do Grupo Leforte, reforça que campanhas como o Abril Lilás ajudam a conscientizar sobre como é importante conhecer o próprio corpo e a procurar ajuda de especialistas quando algo não vai bem.

É um câncer de baixa incidência, certo?

Correto. O câncer de testículo possui uma baixa incidência representando apenas 1% de todas as neoplasias que afetam a população masculina e dentro da urologia o câncer de testículo representa apenas 5%. Apesar disso, é a neoplasia sólida mais comum em jovens – a faixa etária com maior incidência para o aparecimento desse tipo de tumor é entre 15 e 35 anos. Dados epidemiológicos atuais mostram ainda que o câncer de testículo vem aumentado nos últimos anos, principalmente em países industrializados. Múltiplos fatores podem estar afetando essas taxas mas ainda não temos relações bem esclarecidas.

Há pouca divulgação sobre o câncer de testículo?

Sim, é pouco divulgado. Por isso campanhas de conscientização como o Abril Lilás são importantes para que a população em geral adquira conhecimento e procure a ajuda de um especialista quando necessário. Até por esse cenário, o diagnóstico precoce é dificultado, pois trata-se de uma doença indolor, na qual o paciente percebe o nódulo no autoexame ou quando nota diferença de tamanhos entre os testículos.

O que podemos destacar em relação à incidência e ao diagnóstico e tratamento no Brasil?

No Brasil, o INCA (Instituo Nacional do Câncer) não tem os dados atualizados sobre a incidência do câncer de testículo por ser um câncer pouco comum.  Apesar de não possuir dados epidemiológicos sobre a doença, o país oferece todos os tipos de terapêuticas necessárias para garantir o tratamento adequado.

Existem fatores de risco?

Existem sim, e os principais são:

  • Criptorquidia

(Não descida do testículo para bolsa escrotal após o nascimento)

  • Hipospádia

(Defeito congênito e anomalia da genitália externa masculina mais frequente – de 3 a 5 casos para cada 1.000 nascimentos. Clinicamente, é caracterizada pelo desenvolvimento incompleto da uretra, com uma abertura na face inferior do pênis)

  • História familiar de câncer de testículo
  • Infertilidade e atrofia do testículo
  • Já ter tido câncer em um dos testículos (o testículo que fica também tem maior risco de desenvolvimento da doença)
  • Uso de drogas – usuários frequentes de maconha possuem maior risco
  • Portadores de HIV

Quais são os sinais ou sintomas iniciais?

O principal sintoma do câncer de testículo é o aparecimento de um nódulo endurecido e indolor ao exame físico, e o diagnóstico é feito por meio de um Ultrassom Doppler de Testículo. Após a suspeita diagnóstica, o câncer precisa ser estadiado*, e procuram-se outros locais no organismo em que o câncer pode ter se disseminado. São necessários tomografia computadorizada de abdome e tórax e exames laboratoriais.

*O estadiamento do câncer é a forma como a equipe médica consegue detectar a extensão do câncer no corpo de uma pessoa, onde o tumor está localizado  e se existe doença fora da localização primária.

Qual o tratamento do câncer de testículo ?

O tratamento para o câncer de testículo é a orquiectomia radical, que é a retirada total do testículo.

Abril lilas

Quanto tempo pode durar o tratamento?

Varia de acordo com o estadiamento da doença, podendo cessar após o tratamento definitivo (orquiectomia radical) ou ser complementado com sessões de quimioterapia ou radioterapia. E são altas as chances de cura, mesmo para os casos com doença disseminada. Com o tratamento adequado, estima-se sobrevida de 5 anos em 90% dos casos.

É um câncer que evolui facilmente para metástase?

A evolução para metástase está diretamente ligada ao diagnóstico tardio da doença e aos diferentes tipos de câncer de testículo. Porém, a grande maioria dos casos (entre 55% e 80%) apresenta-se sem metástase ao diagnóstico inicial.

 

Sequelas são frequentes?

A principal sequela que este tipo de câncer pode deixar é a infertilidade, e pode acontecer naqueles pacientes que precisaram complementar o tratamento com quimioterapia ou radioterapia. Por isso sempre aconselhamos os pacientes com diagnóstico de câncer de testículo que pretendem um dia constituir família ou ter outros filhos que procurem um banco de sêmen para criopreservação.

Uma vez curado, qual frequência deve fazer exames preventivos?

Tantos os exames quanto a frequência serão determinados pelo estadiamento do câncer, podendo variar de três em três meses para seis em seis meses, e à medida que o tempo de acompanhamento aumenta, essa frequência tende a diminuir. O mais importante para os homens que trataram o câncer de testículo é continuar acompanhando, visto que 5% deles podem desenvolver câncer no testículo contralateral.

O que reforçar então doutor, para que os homens se atentem à doença?

É importante se autoconhecer. O urologista deve ser o parceiro dos homens, e em qualquer faixa etária. Temos que estimulá-los a procurar o urologista a fim de tirar dúvidas sobre o desenvolvimento dos órgãos genitais. O mais importante a todos os homens é que conheçam o próprio corpo, realizem o autoexame e, caso notem qualquer alteração, procurem o quanto antes um especialista.

 

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