A Saúde Ocular: Artigo por Dra. Juliana Steffen Bresaola

Por Juliana de Arruda Steffen Bresaola, oftalmologista do Hospital Leforte Morumbi


 

Nosso olho é um órgão complexo. Funciona como uma máquina que trabalha para transformar a luz que entra pela pupila em estímulo fotoquímico e levar a informação ao cérebro. Este formará a imagem que interpretamos como visão. Os olhos recebem cerca 80% de toda informação a que estamos expostos, por isso, é crucial dar a devida atenção à saúde ocular.

Muitas pessoas consideram o exame oftalmológico sinônimo de avaliação da necessidade de uso de lentes corretivas, o que é um equívoco, porque em um grande número de vezes, óculos ou lentes de contato corrigem erros de refração. Algumas doenças oculares, como o glaucoma, não apresentam sintomas a curto prazo. Somente são diagnosticadas quando o profissional especializado realiza, ao lado da acuidade visual, exames que incluem medida da pressão intraocular, avaliação do nervo óptico e da retina.

Oftalmologista Hospital Leforte

Exames de pressão, nervo óptico e retina podem diagnosticar doenças oculares além da acuidade visual

 

Outra confusão comum é de que crianças só devem ser avaliadas após a alfabetização. O exame na infância inicia-se na maternidade, com o “teste do olhinho”, exame de rastreio, realizado por pediatra especializado. Este não substitui o exame oftalmológico, pois apenas detecta doenças que provocam obstrução do eixo visual. O fato de o processo de desenvolvimento visual ocorrer aproximadamente até os sete anos de idade reforça a necessidade de avaliação especializada para correção precoce de erros de refração.

Dificuldades de acesso a especialistas por parte da população brasileira mais carente retarda o diagnóstico de doenças preveníveis e tratáveis. De acordo com o Censo do IBGE, em 2010 mais de 6,5 milhões de brasileiros apresentavam alguma deficiência visual. O aumento da expectativa de vida da população também contribui para este número, já que algumas doenças são mais prevalentes após os 60 anos de idade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em conjunto com a International Agency for the Prevention of Blindness (IAPB), criou o programa “Vision 2020: The Right To Sight”, (“Visão 2020: O direito de Ver”), iniciativa global que pretende eliminar a cegueira evitável até o ano de 2020. Os programas governamentais são implementados para atingir este objetivo. O oftalmologista da rede básica nem sempre tem acesso a exames complementares e encontra dificuldade em encaminhar pacientes para as subespecialidades. A população que não utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) nem sempre é incorporada às políticas de prevenção. Somente procura o médico oftalmologista até que o comprometimento visual passe a interferir em suas atividades.

No século XV, óculos eram vendidos por mercadores cujos clientes escolhiam suas lentes baseados no que julgavam melhorar sua visão. Hoje em dia pode-se fazer uma analogia aos chamados “óculos de farmácia”. Estes são muito populares entre os pacientes que sofrem a chamada “vista cansada” (presbiopia). A evolução tecnológica na Oftalmologia ocorre de forma muito rápida. A criação de exames portáteis e aplicativos especializados sugerem maior facilidade de acesso à informação e busca precoce por tratamento. Ainda não é uma realidade e não substitui o exame presencial.

É importante ficar atento.

O exame oftalmológico só pode ser realizado por um médico oftalmologista. Confie nele!

 


 

Juliana de Arruda Steffen Bresaola

Juliana é oftalmologista do Hospital Leforte Morumbi e possui graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com especialização em Residência Médica em Oftalmologia pelo Hospital Oftalmológico de Sorocaba – BOS. É Especialista em Oftalmologia pela Associação Médica Brasileira e o Conselho Brasileiro em Oftalmologia.

 

 


 

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