Urologia

   

Urologia

A equipe de Urologia do Leforte está preparada para o diagnóstico e tratamento de doenças do trato urinário de homens e mulheres.

Cálculos renais (“pedras nos rins”)

As pedras nos rins correspondem à doença mais antiga descrita e documentada. As primeiras cirurgias denominadas litotomias foram descritas na Grécia há 2500 anos. Sabemos que a doença tem distribuição mundial, sendo mais frequente em países de clima quente.

O risco de formação de cálculos urinários é de 6% para mulheres e 12% para homens. A prevalência está aumentando e varia de acordo com a idade, raça e região estudada. Entre homens negros é de cerca de 1% e entre brancos, de 10%. A incidência entre crianças é baixa (cerca de 3% de todos os casos). Começa a aumentar entre os homens a partir dos 20 anos de idade e atinge o pico entre 40 e 60 anos.

Já entre as mulheres, o pico é por volta dos 30 anos de idade e decai após 50 anos. A doença é recidiva, com taxas ao redor de 50% dos pacientes não tratados entre cinco e dez anos, sendo que o tratamento clínico pode reduzir a recorrência pela metade.

A associação de pedras nos rins com várias doenças sistêmicas está bem estabelecida (o diabetes do tipo 2, por exemplo, predispõe a litíase por ácido úrico). Também está comprovada a associação entre obesidade e síndrome metabólica com calculose por oxalato de cálcio e ácido úrico. A ocorrência de cálculos é 30% maior entre homens com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30 e o dobro entre as mulheres nesta condição.

O diagnóstico de pedras nos rins baseou-se até recentemente em três exames: raios-X simples de abdômen, ultrassonografia e urografia excretora. Entretanto, atualmente o padrão-ouro (1ª escolha) de diagnóstico é a tomografia computadorizada, que permite o diagnóstico de cálculos renais e ureterais com sensibilidade de 95% e especificidade de 98%. A tomografia é de realização rápida, não necessita de contraste iodado e permite medir a densidade do cálculo, o que tem implicações na escolha do tratamento da litíase e possibilita o diagnóstico de outras doenças clinicamente relevantes em 13% dos pacientes com diagnóstico inicial de cálculo urinário.

Tratamento

O tratamento clínico da cólica ureteral, condição em que a pedra migra do rim para o ureter, consiste em administrar medicamentos analgésicos de ação periférica e antiespasmódicos, associado ou não aos anti-inflamatórios não hormonais. Os analgésicos de ação central como os opiáceos e seus derivados são reservados para os casos de dor de difícil controle. A hiper-hidratação durante a crise é controversa, pois parece não contribuir para a expulsão da pedra e ainda pode aumentar a dor.

Uma nova abordagem no tratamento clínico dos cálculos ureterais é a chamada terapia expulsiva, que consiste no emprego de medicamentos que promovem o relaxamento da musculatura ureteral a fim de reduzir a peristalse e aumentar o calibre funcional do ureter, facilitando a eliminação dos cálculos.

O tratamento intervencionista é indicado aos pacientes que não conseguem a progressão do cálculo com a terapia expulsiva ou apresentam complicações como a ocorrência de infecção urinária ou piora da ureterohidronefrose (dilatação dos rins) com risco de comprometer seu funcionamento.

A litotripsia extracorpórea é o método de eleição em nosso meio para tratamento de cálculos renais menores que 2 centímetros. A nefrolitotripsia percutânea é o melhor método para tratamento de cálculos renais maiores que 2 centímetros e a ureteroscopia semi-rígida para o tratamento dos cálculos de uréter distal. A ureteroscopia flexível é uma alternativa para cálculos de uréter superior e renais menores que 1,5 centímetro que não respondem a litotripsia extracorpórea ou com contraindicações de realização da cirurgia percutânea.

O índice de pacientes livres de cálculos após litotripsia extracorpórea varia entre 35 e 91%, conforme seu tamanho e localização. Os cálculos renais maiores que 2 centímetros são eliminados pela cirurgia percutânea entre 60% e 100% dos casos. Os cálculos de ureter distal são tratados com sucesso em até 94% dos casos com ureteroscopia semi-rígida contra 74% da litotripsia extracorpórea. Já para cálculos de ureter superior as taxas de sucesso situam-se entre 77% e 91% para ureteroscopia e 41% e 82% para a litotripsia extracorpórea.