Mulheres Cirurgiãs

Por Dra. Leticia VilligerCirurgiã Torácica do Hospital Leforte


 

Sou cirurgiã e muito feliz com minha escolha. Quando escolhi ser médica, entrei na faculdade decidida a fazer uma especialidade cirúrgica. Nem sempre foi fácil. Tive muitas vezes que seguir apenas os meus instintos para progredir na profissão, em algumas situações tinha apenas modelos masculinos como exemplo. Precisei desenvolver uma forma própria para conciliar vida pessoal e profissional. Entre meus pares, não posso reclamar de preconceito, pelo contrário, percebo que houve poucas concessões pelo fato de ser mulher. Acho que pela evolução dos tempos e também pela forma como me posiciono.

Na minha especialidade – Cirurgia de Tórax –, menos de 8% são mulheres e o ambiente é completamente masculino, 92% de homens. Somos pouco mais de 50 mulheres em todo o Brasil.

Segundo estudo* publicado na revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, até os anos 1960, eram inscritas no CRM – Conselho Regional de Medicina – três cirurgiãs por década. A partir de 1970, aumentou o número de mulheres cirurgiãs, coincidindo com aumento da entrada de mulheres nas escolas médicas.

Por que não existem muitas mulheres nas áreas de cirurgia?

O tema é amplo, complexo e não existe uma resposta única.

O interesse pela cirurgia é igual entre homens e mulheres, porém o que falta são “modelos” de mulheres cirurgiãs inspiradoras, modelos a serem seguidos.

Justamente como referi no início, a minha dificuldade foi deparar com a falta de caminhos já percorridos ou modelos a serem seguidos. Coisas simples como estrutura de apoio para a cirurgiã com filho em período de amamentação. Algumas peculiaridades do dia a dia que fazem parte do universo feminino. Simples assim. Soluções que só virão com o aumento da demanda.

As mulheres procuram conciliar satisfação profissional e vida pessoal, especialmente a maternidade. Nos dias de hoje, o preconceito de gênero foi praticamente abolido e percebo que o mérito, o conhecimento e os bons resultados são realmente mais impactantes. Preciso ressaltar que o apoio da família e um companheiro que sempre dividiu comigo as responsabilidades em casa, foram fundamentais na construção da minha carreira e formação.

Para esse Dia Internacional da Mulher, desejo mais mulheres inspiradoras.

 

*Mulheres Cirurgiãs – Artigo publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Autoras: Talita Franco, ECBC-RJ; Elizabeth Gomes dos Santos, TCBC-RJ

 

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